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Aprovada iniciativa popular de afirmação da Galiza na Lusofonia

In Defesa da Língua Portuguesa, Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 20 de Maio de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Do jornal El Correo Gallego
Santiago de Compostela, Galiza, Espanha
14 de maio de 2013

:::  Comunidade autónoma da Galiza estreitará laços com os países do mundo lusófono para usar o potencial econômico da língua galega  :::
:::  Os grupos parlamentares dão seu apoio unânime à iniciativa dos cidadãos com o vínculo comum da defesa de sua própria língua  :::

O Parlamento galego – o Paço do Hórreo – aprovou, no dia 14, a iniciativa popular de aprendizagem da Língua Portuguesa em todos os níveis de ensino formal das escolas da Galiza.
 

A Galiza começa nesta terça-feira [dia 14] o caminho para recuperar os laços com o mundo da Lusofonia e para usar a língua galega e suas raízes comuns com o português como potencial económico, não somente com o país vizinho, mas também com potências emergentes, como o Brasil.

A avaliação desta proposta legislativa, que leva o nome do escritor Valentín Paz-Andrade, foi qualificada não somente por seus propositores como um marco “histórico”, mas também pelo representante do Partido Popular da Galiza (PPdG) no debate, Agustín Baamonde, que com o anúncio de apoio a este texto, com o aval de 17 mil assinaturas, abriu o caminho para a “voltar a unir o que a história separou”, nas palavras do porta-voz dos promotores, o empresário Xosé Carlos Morell González.

A proposta de lei, que será alterada durante o trâmite no Parlamento, visa incorporar gradualmente, dentro de quatro anos, a aprendizagem da Língua Portuguesa em todos os níveis do ensino formal. Também visa reconhecer especialmente o domínio desta Língua no acesso à função pública e nos concursos de mérito.

Na verdade, este texto recebeu o apoio dos grupos parlamentares um dia depois de os governos espanhol e português aprovarem uma resolução conjunta na 26ª Cimeira Luso-Espanhola, em que reafirmaram o interesse de continuar a promover “o ensino das línguas espanhola e portuguesa nos respectivos países vizinhos”.

O aspecto económico é um dos principais eixos da proposta. Com isso, em segundo lugar, esta proposta quer que as relações com os países de Língua Oficial Portuguesa constituam um “objetivo estratégico” do governo galego.

De uma maneira “especial” que visa incentivar a participação das instituições galegas em fóruns lusófonos de todos os tipos, desde os de ordem económica e ambiental até a cultural e a desportiva, bem como a organização na Galiza de eventos com a presença de entidades e pessoas de territórios com o português como Língua oficial.

Para isso, a normativa obrigava o Governo galego a tomar as medidas necessárias para que se consiga a recepção aberta em território galego das emissoras de televisão e de rádio portuguesas por meio da Televisão Digital Terrestre (TDT).

–– Xosé Carlos Morell González: “O galego é útil” ––

A iniciativa popular de Ensino do Português foi apresentada ao Parlamento galego pelo empresário Xosé Carlos Morell González.

 

Em seu discurso, Xosé Carlos Morell González citou como exemplo o caso da região da Estremadura, em que “100 por cento do alunado” pode estudar em português, ou na Andaluzia, onde pode isso ser feito por estudantes “às dúzias”, e também enfatizou que a própria língua galega “é útil para as relações comerciais” da Galiza com os países falantes do português, que reúnem um total de 254 milhões de pessoas.

“Hoje está em suas mãos para fazer ver, não só à comunidade empresarial, mas também a todos os galegos, que temos uma língua extensa e útil”, apelou o porta-voz dos propositores, que receberam um aplauso unânime de todo o hemiciclo, depois de fechar a seu primeiro discurso proclamando que o galego, que já ultrapassou a história com “dignidade”, é uma língua “de imensa utilidade e futuro, assim como tem futuro este país”.

–– Apoio de todos os partidos galegos ––
Todos os partidos galegos foram a favor da iniciativa, com o elo comum de que defender o português e seus vínculos é também uma defesa da língua galega. No entanto, esse ponto não tem sido isento de críticas pela deputada do Bloco Nacionalista Galego (BNG), Ana Pontón, que atacou “os preconceitos que se aninham em quem hoje governa a Galiza”, e o deputado da Alternativa Galega de Esquerda (AGE), Xabier Ron Fernández, que criticou a “galegofobia” do Poder Executivo exercido pelo Partido Popular da Galiza (PPdG).

Os deputados do Parlamento galego (no sentido horário), Ana Pontón, Agustín Baamonde, Francisco Caamaño e Xabier Ron Fernández: apoio unânime ao Ensino do Português.

No debate, o deputado do PPdG, Agustín Baamonde, adiantou que terá de “estudar as dificuldades materiais” para o intercâmbio de programas de televisão e deixou “claro” que o partido aposta em dar “tratamento preferencial” ao português, mas, em todo caso, terá tratamento de “Língua estrangeira” e seu estudo “não será obrigatório”. Além disso, os membros do PPdG “não têm nenhuma intenção de entrar no debate normativo” da Língua, cujas regras oficiais “têm o apoio” do partido.

Mas, ao lado destas observações, Baamonde defendeu “não deixar passar” esta oportunidade para a economia galega, e não desperdiçar a chance de vencer de “preencher uma lacuna histórica”. Ele também apoiou a proposta porque “defender o português supõe, de alguma forma, defender o galego”.

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Por sua vez, o deputado do Partido Socialista Galego, Francisco Caamaño, observou que “é o momento de combater a crise, e se não pode ser com recursos económicos, pelo menos com a cultura” e apostou que esta proposta sirva para superar as “fronteiras internas”, não a do Minho, mas o “muro construído por interesse de alguns” para tornar a realidade portuguesa “a mais estranha possível”.

Ele também fez votos de que, quando esta lei for aprovada, “não fique apenas no Diario Oficial de Galicia” [o jornal oficial de leis da comunidade autónoma da Galiza]. “Espero um governo e um Partido Popular que, além de votarem a favor desta iniciativa, levem-na adiante”, manifestou-se, antes de assegurar que os deputados socialistas estarão “em cinema” para que “depois da lei, venha o decreto e as ações que tornem realidade esta iniciativa”.

Xabier Ron Fernández, da AGE, descreveu que se tratava de “derrubar muros” para promover um relacionamento sem “totalitarismos”, de “cultura e afeto, solidariedade, horizontalidade, pluralismo, comunicação, diálogo e cooperação, e reconhecimento das identidades em jogo”.

Anteriormente, a deputada do BNG, Ana Pontón, que reivindicou o trabalho feito por seu partido em outras legislaturas, a respeito do mesmo tema e que não sofreu o mesmo destino, esperava que esta lei servisse para “quebrar preconceitos” sobre a utilidade da língua galega e superar o “negacionismo” em relação aos países da Lusofonia.

Já em sua segunda intervenção, que serviu para fechar o debate, Morell González agradeceu um a um a todos os grupos pelo apoio recebido, e dirigindo-se ao deputado do PPdG, disse que “não está preocupado com a obrigatoriedade” da linguagem. “Pensamos que vai ser resolvido de maneira técnica e com boa vontade”, confiou o porta-voz os propositores da iniciativa.

–– Iniciativa Valentín Paz-Andrade ––

A proposta de lei recebeu o nome do empresário, escritor e poeta galego Valentín Paz-Andrade (1898-1987), um dos principais negociadores do Acordo Ortográfico de 1990.

 

A razão pela qual os promotores desta iniciativa dedicaram o Dia das Letras Galegas a Valentín Paz-Andrade (1898-1987) é que, além de destacado no campo das letras, foi um dos fundadores do grupo industrial Pescanova, que se tornou a primeira companhia armadora europeia de barcos frigoríficos, e da qual foi vice-presidente (a partir de 1960), mas que agora está em processo de falência.

Com o eixo econômico como um dos principais motivos em que se baseiam os propositores da iniciativa, argumentam que o potencial econômico da Língua Portuguesa já alcança 4,6 por cento do PIB mundial e 2 por cento do comércio internacional do planeta, que move a 3,6 por cento da população mundial, ou seja, 254 milhões de pessoas.

Assim, a Língua Portuguesa representa um PIB reunido de quase três biliões [trilhões] de euros e um valor de 4,5 biliões [trilhões] de euros no comércio internacional mundial. Contando a diáspora lusitana, de cerca de 5 milhões de pessoas, o mesmo estudo do banco BES indica que os emigrantes movem um PIB de um bilião [trilhão] de euros, 1,9 por cento do PIB mundial.

O português, que nasceu na Gallaecia [a Galiza histórica, assim chamada pelos antigos romanos], é a Língua de trabalho de 20 organizações internacionais, incluindo a União Europeia, e a Língua oficial internacional de nove países e do território asiático de Macau, na China. Entre eles, está a força econômica do Brasil, juntamente com outros, e é a Língua mais falada de todo o Hemisfério Sul.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

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Galicia estrechará lazos con el mundo lusófono para usar el gallego como potencial económico.
Extraído do jornal El Correo Gallego – seção Galicia
Santiago de Compostela, Galiza, Espanha.
Publicado em: 14 maio 2013.

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