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Rita Santos: “Macau pode ser a porta de entrada da Lusofonia para a China”

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 30 de Abril de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Baseado em entrevista a Santos Virgílio,
do jornal O País (Luanda, Angola).
24 de abril de 2013

 

Criado em outubro de 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, abreviadamente Fórum de Macau é um mecanismo multilateral de cooperação económica e comercial perseguindo o objetivo da promoção e do desenvolvimento das relações económicas e comerciais, entre a China e os países de Língua Portuguesa, utilizando a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma de ligação.

Tem um secretariado permanente baseado em Macau, sendo todas as despesas da operação suportadas pelo governo da República Popular da China. Todos os países membros do Fórum têm um delegado residente, com excepção do Brasil cujo representante reside em Hong Kong. A sua estrutura organizacional tem ainda um gabinete de administração e outro de apoio ao secretariado permanente.

O Fórum de Macau é presidido por sua secretária-geral adjunta, Rita Santos, que concedeu ao jornal O País, de Luanda, entrevista recente na região lusófona da margem ocidental da Riviera das Perólas.

–– Estreitando as relações comerciais China-Lusofonia ––

Rita Santos é a secretária-geral adjunta do Fórum de Macau.

 

“Eu estou no Fórum de Macau há dez anos; portanto, eu acompanhei desde a sua criação até agora. O Fórum é uma iniciativa da República Popular da China com o grande apoio dos sete países de Língua Portuguesa – nomeadamente; Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste, sendo Macau o espaço escolhido por todos como palco de realização deste Fórum e também como plataforma de estreitamento das relações económicas, comerciais e culturais entre a República Popular da China e estes sete países de Língua Portuguesa”.

Porém, São Tomé e Príncipe não integra o Fórum de Macau por razões políticas: reconheceu Taiwan (Formosa) como país independente e isto despoletou um desentendimento político-diplomático com a República Popular da China, com quem não mantêm relações.

Rita Santos declara que tornaram-se mais intensos os contactos dos empresários chineses em Angola. “Há cada vez mais interesse [dos empresários chineses] porque alguns deles já estão a fazer parcerias com empresários angolanos. Nós já temos uma empresa angolana instalada em Macau, que procura parceiros na República Popular da China.

Fomos nós também que demos apoio ao Banco da China para estabelecer protocolo com um de Angola, que permite que os trabalhadores chineses em Angola e os próprios empresários possam facilmente transferir dinheiro para a China. Também damos ajuda a alguns empresários na importação e exportação de materiais, etc. etc. Portanto, estamos na fase de movimentar as pequenas e médias empresas”, diz Rita Santos.

–– Por mais trocas culturais entre China e Angola ––
Também há intensos contactos pela promoção de Angola na China na área cultural. “Desde 2008 temos dado apoio a artistas para realizarem espectáculos musicais em Macau e no interior da China. Pagamos todas as despesas e muitos deles são convidados a fazer exibições nos grandes casinos de Macau. Este ano, no terceiro trimestre, vai acontecer a 4ª. edição da Semana Cultural da China e da CPLP, em que suportamos todas as despesas de dez artistas de cada país. Também temos convidado artesãos, aqui temos artesanato de Angola… o pau preto é bem conhecido aqui. Para além disso a gastronomia angolana vai estar presente com cozinheiros que vêm de Luanda. Este ano estamos a tentar fazer coincidir esta semana cultural com a reunião Ministerial, numa altura em que se assinala o 10º. aniversário do Fórum.

Além disso, é importante notar que Macau é uma montra mundial, porque todos os anos visitam Macau cerca de 29 milhões de turistas. Alguns vão já sabendo que em Macau também há cultura angolana, para além do facto de haver uma associação dos amigos de Angola que integra alguns angolanos que aqui vivem.”

A secretária-geral adjunta do Fórum de Macau defende maior aproximação dos conteúdos culturais entre a China e as nações da Lusofonia. Um dos meios para isso é a cooperação de trocas de programas de televisão. “Aqui as pessoas já têm assistido a programas da Guiné-Bissau, de Moçambique e de Cabo Verde, mas até agora não se vê nada de Angola!”

E declarou-se a favor de um acordo de emissão de programas entre a TDM – Teledifusão de Macau – e a TPA – Televisão Pública de Angola. “A televisão de Macau já assinou protocolos de troca de programas com a Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, e com Portugal existe já há bastante tempo. Esta troca de informação permite que se conheça mais sobre o país e depois se difunda pelo vasto mercado da República Popular da China, traduzindo estes conteúdos em chinês. E da nossa parte os programas da República Popular da China e Macau seriam traduzidos para português.

Havendo uma troca de informações e de programas de televisão, permitiria conhecer melhor e mais os povos, conhecer melhor o mercado e há uma aproximação maior entre as pessoas, entre os empresários, e isto é muito bom. Este é um passo que gostaria que a televisão de Angola decidisse o mais rápido possível.”

Também falou-se na proposta de concessão de bolsas de estudos em Macau a estudantes dos países lusófonos.
“Aqui temos de diferenciar dois tipos de bolsas de estudos. O Governo da República Popular da China tem concedido bolsas de estudo a estudantes angolanos e de outras nacionalidades. Essas bolsas são para todas as províncias da China e não têm nada a ver com o Fórum.

No âmbito do Fórum de Macau, o Governo de Macau disponibiliza bolsas de estudos para dez estudantes de cada país, para licenciatura. E os critérios de seleção dos bolseiros é feito pelos respectivos países.”

–– A dica é aprender mandarim! Há cada vez mais chineses a aprender português ––
A reportagem de O País perguntou a Rita Santos qual conselho a dar aos angolanos que querem estreitar as relações com a China e com Macau. A grande dica vem pela língua:
“Aprender mandarim [o dialeto oficial da língua chinesa]! Porque é que os brasileiros têm tantos acessos aqui na China? Porque muitos brasileiros falam mandarim. E até alguns moçambicanos, guineenses e cabo-verdianos já falam mandarim. Isso ajuda muito a estreitar relações e a abrir portas. E uma das apostas do governo da República Popular da China é o ensino da língua chinesa; e há cada vez mais chineses a aprender português. Nós em Macau temos várias instituições que ensinam português para os chineses e muitos acabam de fazer o curso e vão logo para Angola. Já cruzei com alunos que fizeram estágio no Fórum e foram contratados para trabalhar em empresas chinesas em Angola, e estão a ganhar bons salários!”

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• A entrevista completa dada por Rita Santos, secretária-geral adjunta do Fórum de Macau, ao jornalista Santos Virgílio pode ser vista neste sítio do jornal O País de Luanda, publicada na edição de 24 de abril.

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Rita Santos: “Macau pode ser a porta de entrada da Lusofonia para a China”
Baseado em entrevista a Santos Virgílio, do jornal O País – Luanda, Angola.
Publicado em: 24 abr. 2013.

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Leia também:
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