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Chegam mais e mais estrangeiros ao Brasil para estudar negócios – e a Língua Portuguesa

In Língua Portuguesa Internacional, Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 27 de Março de 2013 by ronsoar Tagged: , , ,

Muitos estudantes estrangeiros de negócios vêm a São Paulo para conhecer o mercado brasileiro – e para aprender a Língua Portuguesa. 

Muitos estudantes estrangeiros de negócios vêm a São Paulo para conhecer o mercado brasileiro – e para aprender a Língua Portuguesa.
 

A reportagem seguinte mostra o interesse de estudantes estrangeiros de administração e negócios em estudar no Brasil, país da Lusofonia que vem ganhando visibilidade económica em âmbito mundial nos últimos anos. E para prosperarem no novo cenário no Brasil, torna-se necessário aos estudantes e empresários de outros países o bom domínio e compreensão da Língua Portuguesa.

Apesar da falta de políticas em escala pan-lusófona para o ensino de Língua Portuguesa para negócios, a grande procura de aulas para esse ramo da Língua comprova a importância do português como Língua de trabalho internacional para o futuro nos mais diversos ambientes da economia.

A matéria a seguir foi publicada pela correspondente em São Paulo do sítio de economia El Cronista.com, de Buenos Aires, Argentina.

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–– Chegam mais e mais estrangeiros para estudar negócios no Brasil ––

Carolina Cortez, de São Paulo,
do sítio El Cronista.com (Argentina)
14 de março de 2013

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Nascido na Coreia do Sul, o empresário Ji Won, de 33 anos, viveu em vários países, como Espanha e Estados Unidos. Mas foi no Brasil onde descobriu uma oportunidade para desenvolver seu lado empreendedor.

Embora já tenha vivido no Brasil, onde chegou a cursar o Ensino Médio (ou Secundário), decidiu voltar dez anos depois com o objetivo de comandar uma empresa iniciante (ou startup). Em 2011, Won conseguiu investimentos sul-coreanos para a Biosom, empresa de sistemas e equipamentos para melhoria da audição.

Com estudos de técnicas de mercado (marketing) nos Estados Unidos, Won encarou o desafio de voltar ao Brasil, porém, decidiu primeiro fazer uma pós-graduação em administração no país. “Queria entender melhor o modelo de negócios local. Da forma como as pessoas se relacionam no trabalho até a maneira de vender soluções e produtos, muitas coisas são diferentes”, afirmou.

Além disso, conhecer outros empreendedores nas aulas revelou-se uma estratégia importante para quem precisava, inclusive, montar uma equipa do zero. Durante o curso, convidou um colega indiano, Sachin Durg, a integrar-se à sua equipa. “Fazer o curso foi fundamental para consolidar minha rede de trabalho”.

Casos como o de Won estão se tornando cada vez mais comuns. Estrangeiros que buscam conhecimento em diferentes mercados, além de oportunidades de trabalho ou para começar seu próprio negócio, encontram no Brasil um espaço para moldar seus planos. A acompanhar esse movimento, a quantidade de vistos concedidos a estudantes do exterior quase duplicou nos últimos três anos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, somente entre 2011 e 2012 foram concedidas 11.886 autorizações a estrangeiros que vieram ao Brasil para estudar – um aumento de 21%.

Embora os latino-americanos sejam maioria, os europeus responderam pela mais alta taxa de crescimento entre os que procuram as instituições de ensino superior do país. Enquanto 4.541 estudantes da América Latina inscreveram-se nas escolas brasileiras em 2012 – uma alta acumulada de 50% nos últimos três anos –, os europeus somaram 4.472 estudantes, o que em comparação com 2010 significou um aumento de 67%.

Para Eduardo Marques, gerente de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), esse cenário tem como pano de fundo o agravamento da crise internacional, que tornou o mercado de trabalho brasileiro mais atraente. “Os estudantes começaram a ver melhores oportunidades no Brasil. Além de ter algumas instituições de referência nos rankings [classificações] globais, ainda é relativamente barato estudar aqui”, afirmou.

Quanto à pós-graduação, entre 2011 e 2012, a FGV observou um aumento de 30% nas matrículas de estudantes estrangeiros na escola de administração e negócios de São Paulo e de 62% na do Rio de Janeiro. Os cursos mais procurados foram o mestrado profissional em gestão internacional (em São Paulo) e o mestrado executivo (no Rio de Janeiro). Encabeçaram as matrículas desses programas franceses, portugueses, italianos e alemães, de acordo com Eduardo Marques.

“Na Europa, o mercado exige mais vivência internacional de seus profissionais. Como muitas multinacionais estão chegando ao Brasil, eles sentem a necessidade de conhecer nossa cultura e nossa forma de administrar para disputar vagas”, afirmou.

O multiculturalismo da gestão também ganha destaque na lista de prioridades dos alunos estrangeiros do Insper, Instituto de Ensino e Pesquisa. “Morar na França e estudar na Itália não é uma experiência tão vantajosa para um europeu que busca aprender mais sobre os diferentes ambientes de negócios”, disse Guy Cliquet do Amaral Filho, coordenador-geral de certificados da instituição. “Para o europeu, é melhor vir a um país como o Brasil, que é emergente e está em uma posição destacada.”

Segundo Amaral Filho, o instituto Insper centrou a busca de estudantes estrangeiros nos programas de Certificação em Administração de Negócios e de Certificação em Gestão de Mercado (ou marketing).

O grau de interesse dos alunos do exterior pode ser medido, também, pela vontade de aprender a Língua local. Embora seja possível acompanhar algumas aulas em inglês, a maioria dos estrangeiros assiste às aulas de Língua Portuguesa. “Valorizam muito a interação e o networking [trabalho em rede]. Querem se comunicar bem com os brasileiros”, destacou.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares)

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CORTEZ, Carolina. Llegan cada vez más extranjeros para estudiar en las aulas brasileñas.
Do sítio El Cronista.com – Buenos Aires, Argentina.
Publicado em: 14 mar. 2013.

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