Articles

CPLP: embaixadora do Brasil a favor da adesão da Guiné Equatorial

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 12 de Março de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , , ,

Da Agência EFE
6 de março de 2013

Há uma “dívida cultural do Brasil para com a África. E acho que é hora de fortalecer nossas relações”, diz Eliana da Costa Puglia.

:::  Para a embaixadora brasileira Eliana da Costa Puglia, o facto de os habitantes da ilha de Annobón (ou Ano Bom) falarem um “dialeto português” justifica a adesão da Guiné Equatorial à CPLP.  :::

.
Por ocasião da 3ª. Cimeira África-América do Sul (ASA) realizada recentemente em Sipopo [área nobre da capital do país, Malabo, na ilha de Bioko], a embaixadora do Brasil em Malabo, Eliana da Costa Puglia, disse que seria “uma causa justa” a adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

.
.

Foi a partir da embaixada brasileira, aberta em 2005, em Malabo, no distrito de Caracolas, que a diplomata brasileira fez esta declaração por telefone, acrescentando que “o Brasil viu muito bem a adoção do português como a terceira Língua oficial” do país.

Para Eliana da Costa Puglia, o apoio do Brasil justifica-se pelo facto de que “há uma boa parte da população de Annobón que fala um dialeto português”.

As ilhas de Bioko, Corisco e Annobón, descobertas no século XV pelos navegadores portugueses, foram possessões portuguesas até 1777-1778, quando estes territórios foram cedidos à Espanha em troca de territórios atualmente do sul do Brasil.

Enquanto em Bioko e em Corisco, como no resto do país, o espanhol tornou-se a língua franca, a população de Annobón conservou um crioulo: o Fá d’Ambô. O número de falantes está entre 2.500 e 3.500, o que representa apenas 0,5% do total de equato-guineenses. Além disso, o crioulo de Annobón, mesmo tendo uma base lexical do português, afastou-se da Língua devido ao isolamento da ilha e incorporou elementos de línguas africanas e do espanhol.

“É uma aposta certa de que em Malabo nenhum membro do governo fala o Fá d’Ambô. E mesmo se isso ocorresse, um ministro anobonense seria muito pressionado a dialogar em português com um brasileiro. O argumento linguístico, portanto, parece pouco convincente”, diz Arnaud D., especialista da atualidade africana.

–– Adesão à CPLP: uma longa caminhada ––
Eliana da Costa Puglia assegurou também que seu país estava em negociações com o Ministério da Educação Nacional da Guiné Equatorial com o fim de desenvolver o ensino da Língua Portuguesa nas escolas, adiantando que já havia “na embaixada um curso de Língua Portuguesa, com mais de duzentos alunos matriculados”.

Para a embaixadora brasileira Eliana da Costa Puglia, adesão da Guiné Equatorial à CPLP é “uma causa justa”.

Existem hoje cerca de 300 brasileiros que vivem e trabalham na Guiné Equatorial, dos quais dois terços são trabalhadores de empresas brasileiras de construção civil a operarem no país: como Andrade Gutierrez e ARG Engenharia, que trabalham juntas em Oyala [a nova capital, a ser construída na região central continental do país]. Sem falar da petrolífera brasileira Petrobras, que detém um campo de exploração de petróleo na Guiné Equatorial – e, obviamente, do pessoal da embaixada.

Já em julho de 2012, a embaixadora confidenciava à mídia estatal: “No que diz respeito à dívida cultural do Brasil para com a África, ela começa com o primeiro africano que foi levado como escravo no Brasil. Foi aí que começou a formação do povo brasileiro, com os europeus e os povos indígenas. […] Acho que estamos em um momento muito importante das relações entre os dois países. E acho que é hora de fortalecer nossas relações. Atualmente, a Guiné Equatorial tornou-se um dos países mais importantes para o Brasil.”

Porém, a adesão de Malabo não é tão fácil como parece. Com o fim de impedir a entrada da Guiné Equatorial na Comunidade que reúne as nações lusófonas, organismos da sociedade civil portuguesa lançaram abaixo-assinado aos governos dos países de Língua Portuguesa opondo-se à adesão da Guiné Equatorial à CPLP. Eles denunciaram os ataques à democracia e aos direitos humanos no país africano governado desde 1979 pelo presidente Teodoro Obiang Mbasogo.

Criada em 1996, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, países que compõem uma população total de cerca de 230 milhões de pessoas. :::

.
–– Extraído da Agência EFE ––

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: