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Índia: Portugal pede uma “proximidade diferente” com Goa

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, Lusofonia e Diversidade on 10 de Março de 2013 by ronsoar Tagged: , , , ,

Segundo o Instituto Camões, cerca de dez a quinze mil pessoas falam a Língua Portuguesa na Índia, sobretudo na região de Goa. 

Segundo o Instituto Camões, cerca de dez a quinze mil pessoas falam a Língua Portuguesa na Índia, sobretudo na região de Goa.
 

Entre os dias 3 e 7 de março, o ministro dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, Paulo Portas – entre outros membros da diplomacia portuguesa e empresários –, realizou visita oficial à Índia.

O objetivo da visita foi de reforçar as relações entre os dois países e de manter os contactos históricos, linguísticos e culturais entre Goa e as demais regiões da Lusofonia.

A estada de membros do governo português na Índia ganha contorno especial pela presença de importante comunidade goesa em Portugal, pela necessidade de políticas de promoção da cultura indo-portuguesa e lusófona da Índia e pela proximidade da realização dos Jogos da Lusofonia, a ocorrerem em Goa entre 2 e 10 de novembro.

Abaixo, uma reportagem da Agência Lusa com a declaração do secretário de Estado da Cultura de Portugal, Jorge Barreto Xavier, de que “é estratégico Portugal atualizar uma relação privilegiada com os pontos do mundo onde esteve” e que é importante manter a “relação de proximidade” e os “laços de identidade e de coesão” entre Portugal e Goa.

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–– Portugal quer uma “proximidade diferente” com Goa ––

Da Agência Lusa

Paulo Portas foi rcebido em Nova Déli por seu homólogo indiano Salman Khurshid: fortalecimento de laços históricos entre Portugal e Índia. 

Paulo Portas foi recebido em Nova Déli por seu homólogo indiano Salman Khurshid: fortalecimento de laços históricos entre Portugal e Índia.
 

O secretário de Estado da Cultura da República Portuguesa defendeu que Portugal deve “atualizar” a relação com os locais da Índia onde tem relações históricas e criar com Goa uma “proximidade diferente”.

Jorge Barreto Xavier acompanhou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, na visita à Índia, que teve deslocações a Nova Déli, a Mumbai (antiga Bombaim) e a Goa.

“Goa tem uma relação de proximidade com Portugal. Há muitos goeses a viver em Portugal: eu próprio sou goês. É estratégico Portugal atualizar uma relação privilegiada com os pontos do mundo onde esteve”, defendeu o secretário de Estado da Cultura, em declarações à Agência Lusa.

“Hoje Portugal é visto mais como uma porta de entrada para a Europa do que como ponto de destino. Hoje Portugal tem para os goeses uma visão romantizada, mas também uma posição enquanto membro da União Europeia, e era importante criar na população goesa um tipo de proximidade diferente, nomeadamente com as novas gerações”, afirmou.

Para Barreto Xavier, num momento em que Portugal está a declinar etariamente, vai precisar, se quiser manter alguns níveis de sustentabilidade, receber imigração, tendo em conta que Portugal tem uma população envelhecida.

“A presença de cidadãos de países que tenham tido vínculo histórico com Portugal, obviamente cria laços de identidade e de coesão que são diferentes do que aqueles que não tenham qualquer ligação histórica ou de língua”, disse Jorge Barreto Xavier.

No entanto, o secretário de Estado referiu que, além das relações com base na História, é preciso perceber de que forma Portugal interessa à Índia.

“Portugal interessa à Índia. Temos é de perceber em que termos é que Portugal interessa à Índia”, disse.

“Hoje Portugal pode interessar à Índia ao nível das suas competências, ao nível do papel da Língua Portuguesa no circuito internacional, nas relações de parceria que se podem estabelecer ao nível dos países de Língua Portuguesa em África e no Brasil, ao nível das parcerias industriais e comerciais, da investigação científica e investigação médica”, acrescentou Barreto Xavier.

Na visita à Índia, que se prolongou até quinta-feira, 7 de março, Paulo Portas foi acompanhado ainda pelo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Pedro Reis, e por 35 empresários de vários sectores.

–– Relações com Goa não podem ser só “fado e saudade” ––

Jorge Barreto Xavier declarou a necessidade de "atualizar" as relações históricas entre Portugal e Goa.

Jorge Barreto Xavier declarou a necessidade de “atualizar” as relações históricas entre Portugal e Goa.

Jorge Barreto Xavier, que se encontrou com professores e alunos do Centro de Língua Portuguesa, do Camões – Instituto de Cooperação e da Língua, em Panjim (ou Panaji), afirmou que as relações portuguesas com Goa não podem reduzir-se ao “fado e saudade”: têm de ser viradas para o futuro, caso contrário, “perdem-se as novas gerações”.

Sublinhando o passado histórico entre os dois países, a importância da Língua e da preservação do património, o secretário de Estado da Cultura falou do “papel contemporâneo de Portugal no mundo”, nos domínios das artes, das relações comerciais e na ciência, entre outros.

No Centro de Língua Portuguesa, instalado em um edifício no centro da cidade, Barreto Xavier contactou com alguns dos mais de mil estudantes da instituição.

“Em Goa, temos 1.200 a 1.300 alunos a aprender português, mas é difícil de dizer o número total de pessoas que falam a Língua. Talvez dez mil ou quinze mil, porque falam em casa, no contexto familiar”, explicou à Lusa Delfim Correia da Silva, diretor do Centro, que dispõe de uma equipa de quatro formadores, bolseiros do Instituto Camões.

Barreto Xavier encontrou-se ainda com autoridades locais e com o arcebispo de Goa, D. Filipe de Nery Ferrão.

“O arcebispo de Goa demonstrou uma relação calorosa com a Conferência Episcopal portuguesa e disse-nos que tem muito interesse em contribuir para a formação de padres da arquidiocese de Goa na área documental e histórica, porque a arquidiocese de Goa é também um repositório da História portuguesa dos séculos XVI, XVII e XVIII”, disse o governante.

No final do encontro no Patriarcado de Goa, o secretário de Estado frisou o interesse de Portugal “na formação de padres para saberem cuidar do seu próprio património documental”. :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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