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Anacoreta Correia: Português terá 350 milhões de falantes até o final do século

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 7 de Março de 2013 by ronsoar Tagged: , , ,

Gilberto Costa
da Agência Brasil
28 de fevereiro de 2013

:::  Eugénio Anacoreta Correia não vê problemas no adiamento da aplicação das novas regras de ortografia no Brasil  :::
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Anacoreta Correia: como Língua internacional, “o português hoje não é de Portugal, mas ‘também’ é de Portugal”.

Até o final do século XXI, os oito países falantes de Língua Portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) terão uma população de 350 milhões de pessoas – 100 milhões a mais que os atuais cerca de 250 milhões (dos quais mais de 190 milhões são brasileiros).

A conta é de Eugénio Anacoreta Correia, presidente do Conselho de Administração do Observatório da Língua Portuguesa, que funciona em Lisboa. Segundo ele, o número crescente de falantes do idioma é um dos fatores que aumentam o “potencial econômico” da Língua.

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Em sua opinião, a tendência demográfica – junto com a ascensão econômica de Angola, Brasil e Moçambique, bem como fatores culturais (como a música) e a Copa de Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 – explicam o “boom [expansão] do interesse” mundial pelo português, ao falar do aumento da procura por cursos de português em países não lusófonos.

Correia encerrou nesta quinta-feira [28 de fevereiro] o 1º. Congresso Internacional da Língua Portuguesa, organizado pelo Observatório da Língua Portuguesa e pela Universidade Lusíada de Lisboa. O adiamento no Brasil da obrigatoriedade da nova ortografia para 2016 (decidido pela presidenta Dilma Rousseff em dezembro passado) em nada afeta a expansão do idioma, na avaliação de Correia.

“Eu não dou tragédia nenhuma a isso”, disse, se expressando de modo peculiar aos portugueses. “Não é drama nenhum. O Acordo não pode ser imposto, tem que ser absorvido pela sociedade e isso precisa de tempo”, defendeu.

Segundo ele, “o que o Brasil fez foi um adiamento do prazo para terminar o processo, mas não interrompeu o processo”, salientou. Para Correia, o governo brasileiro postergou a obrigatoriedade “por razões técnicas”, tais como a necessidade de preparação de livros didáticos e professores.

“O Brasil é um continente. As dificuldades regionais, as assimetrias, a preparação de pessoas, a preparação de manuais em um país que tem a dimensão e a variedade do Brasil são muito grandes. Entendo perfeitamente que por razões técnicas possa ter havido necessidade desse adiamento”.

O adiamento da entrada em vigor do Acordo Ortográfico no Brasil alimentou os críticos portugueses às regras de unificação da escrita do idioma. É comum em Portugal escritores e colunistas publicarem textos em jornais e revistas com a observação de que não seguem as regras do Acordo. “Utilizar isso como argumento anti-Acordo não é bom para ninguém”, assinalou Eugénio Anacoreta Correia.

“O português hoje não é de Portugal, mas ‘também’ é de Portugal. Nós temos que acrescentar o ‘também’. A grande riqueza que temos na Comunidade dos Países da Língua Portuguesa [CPLP] é exatamente a partilha de uma coisa comum. Para que a Língua seja de todos, todos temos que ceder”, finalizou.  :::

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COSTA, Gilberto. Português terá 350 milhões de falantes até o final do século, prevê especialista.
Extraído da Agência Brasil.
Publicado em: 28 fev. 2013.

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