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Diplomatas confiam na projeção da Língua Portuguesa no mundo

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional on 4 de Março de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , ,

 

 

Em duas reportagens, abaixo, a visão de dois diplomatas e homens de Estado portugueses sobre a aplicação de políticas para a promoção internacional da Língua Portuguesa. Ambos participaram do I Congresso Internacional de Língua Portuguesa, ocorrido na Universidade Lusíada de Lisboa e promovido pelo Observatório da Língua Portuguesa.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, Luís Amado, declarou que seu país não pode, em tempos de crise, desprezar o valor da Língua Portuguesa como um de seus vetores de influência internacional. E que, “através da Língua Portuguesa, o país projeta para o futuro na sua relação com algumas das regiões mais dinâmicas da economia mundial”.

Já o ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus e ex-embaixador de Portugal em Brasília, Francisco Seixas da Costa, afirmou que “o Brasil é o país que nos pode oferecer maior esperança relativamente à promoção da Língua Portuguesa”. E que a importância da Língua no mundo aumentará com a sua eventual adoção como uma das Línguas de trabalho na Organização das Nações Unidas.

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–– Luís Amado – Portugal não pode desprezar o valor da Língua ––

Do jornal Diário de Notícias (Lisboa, Portugal)
27 de fevereiro de 2013

Luís Amado: Portugal não pode desprezar a "relação privilegiada que, através da Língua Portuguesa, o país projeta para o futuro". 

Luís Amado: Portugal não pode desprezar a “relação privilegiada que, através da Língua Portuguesa, o país projeta para o futuro”.
 

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, Luís Amado, defendeu hoje [no último dia 27] que Portugal não pode, em tempos de crise, desprezar o valor da Língua Portuguesa, que considerou um vetor com grande potencial no relacionamento com os mercados emergentes.

“O país não pode, neste contexto difícil de crise e ajustamento, desprezar os valores que tem para se continuar a afirmar como uma potência de pequena dimensão, mas com influência e vetores de afirmação muito significativos. Um desses vetores é a Língua Portuguesa e a relação privilegiada que, através da Língua Portuguesa, o país projeta para o futuro na sua relação com algumas das regiões mais dinâmicas da economia mundial”, disse Luís Amado.

O ex-chefe da diplomacia falava perante uma plateia de estudantes, diplomatas e académicos no I Congresso Internacional de Língua Portuguesa, uma iniciativa conjunta da Universidade Lusíada e do Observatório da Língua Portuguesa, que decorre até quinta-feira [28 de fevereiro].

O ex-ministro, que intervinha em um painel sobre “promoção, difusão e projeção da Língua Portuguesa”, destacou a contribuição do Brasil como “potência emergente” e “ator relevante nos equilíbrios pós-crise” para a elevação do estatuto da Língua.

Luís Amado lembrou que até à elaboração do Plano de Brasília para a Língua Portuguesa [apresentado em 2010], Portugal se sentiu “muito solitário” na sua política de promoção do português e considerou que o Brasil “tem uma responsabilidade incontornável” na promoção da Língua.

O responsável sublinhou ainda o potencial de crescimento da Língua Portuguesa em países como Angola e Moçambique onde, segundo afirmou, existem hoje mais falantes do que durante o período colonial [até 1975].

“A expansão dos falantes de português nesses países tem sido vertiginosa […] e esse fenómeno vai continuar a desenvolver-se”, disse, prevendo um aumento da procura pelo português na zona de influência desses países.

Classificando o objetivo da expansão internacional do português como “dos mais ambiciosos”, defendeu que o idioma será “uma alavanca poderosa na projeção dos valores” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Os chefes de Estado e de Governo reunidos na VIII Cimeira da CPLP, em julho de 2010, aprovaram o Plano de Ação de Brasília para a Língua Portuguesa.
 

Também interveniente no painel, Pedro Pinto Coelho, embaixador do Brasil junto da CPLP, reconheceu que o seu país não teve até 2010 uma política de Língua, considerando que, desde essa altura, se registou ao nível da Comunidade lusófona uma “maior consciencialização” da necessidade de promover e defender a Língua Portuguesa.

O embaixador sublinhou, além do aspeto cultural, o potencial económico e político do idioma.

Intervindo em um segundo painel dedicado aos “desafios e políticas”, Pedro Lourtie, professor do ISCTE e membro do Observatório da Língua Portuguesa, defendeu a importância de perceber as motivações dos que querem aprender português para “ter políticas bem-sucedidas e que se possam enraizar nas realidades locais”.

José Paulo Esperança, também professor do ISCTE, traçou um retrato da influência do português, considerando aspetos como o número de obras traduzidas para português, os prémios literários conseguidos por lusofalantes, artigos na Wikipédia ou a presença nas redes sociais.

Para José Paulo Esperança, existe um “soft power” [“poder brando”] do português que deverá ser reforçado com políticas que apostem na afirmação da Língua nos fóruns internacionais, na cooperação entre países lusófonos, na certificação ou no alargamento da oferta de ensino para estrangeiros.  :::

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Luís Amado – Portugal não pode desprezar valor da Língua.
Extraído do jornal Diário de Notícias – Lisboa, Portugal.
Publicado em: 27 fev. 2013.

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–– Seixas da Costa – Brasil é maior esperança
para a promoção da Língua Portuguesa ––

Da RTP (Portugal)
27 de fevereiro de 2013

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::: O diplomata Francisco Seixas da Costa considerou hoje que o Brasil é o país que pode “oferecer maior esperança relativamente à promoção da Língua Portuguesa” devido à sua crescente afirmação no plano mundial. :::

Francisco Seixas da Costa: "o Brasil é o país que nos pode oferecer maior esperança relativamente à promoção da Língua Portuguesa". 

Francisco Seixas da Costa: “o Brasil é o país que nos pode oferecer maior esperança relativamente à promoção da Língua Portuguesa”.
 

Para Seixas da Costa, a Língua Portuguesa “está em regressão” na União Europeia (UE), uma situação que também é comum a um conjunto de outras línguas “que se afastam das línguas matriciais de trabalho: o inglês, o francês e o alemão”.

Na UE, o português continua a ser uma Língua oficial, utilizada nos conselhos de ministros e nos documentos oficiais, mas “manifestamente por uma questão de eficácia vai começar a ser cada vez menos utilizada”, afirmou o antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus.

Seixas da Costa, que é atualmente diretor do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, falava no I Congresso Internacional de Língua Portuguesa, em um painel intitulado “Implementação e Desenvolvimento da Língua Portuguesa nas Organizações Internacionais”, uma iniciativa da Universidade Lusíada e do Observatório da Língua Portuguesa, que decorre até quinta-feira [28 de fevereiro] em Lisboa.

Para Seixas da Costa, a possibilidade de o Brasil vir a ser membro permanente no Conselho de Segurança da ONU fortalecerá o "poder brando" da Língua Portuguesa no mundo. 

Para Seixas da Costa, a possibilidade de o Brasil vir a ser membro permanente no Conselho de Segurança da ONU fortalecerá o “poder brando” da Língua Portuguesa no mundo.
 

Depois de ter sublinhado que a expressão da Língua no quadro internacional tem muito a ver com a expressão dos países que a utilizam, o diplomata afirmou que o Brasil “é de todos os países de Língua Portuguesa aquele que tem no quadro mundial um sentido ascendente de afirmação”.

“O Brasil é o país que nos pode oferecer maior esperança relativamente à promoção da Língua Portuguesa”, apontou, acrescentando que estão a ser criadas condições para que esse país assuma um papel de defesa da Língua que “foi solitariamente assumido por Portugal durante muitos anos”.

Seixas da Costa, que foi embaixador de Portugal em Brasília, referiu ainda que a possibilidade de o Brasil vir a ser membro permanente no Conselho de Segurança da ONU poderá dar maior visibilidade ao português, mas acrescentou que tem algumas dúvidas quanto a “um consenso fácil” para que haja mudanças nesse órgão das Nações Unidas.  :::

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Brasil é maior esperança para promoção da Língua Portuguesa.
Extraído da RTP Notícias (Portugal).
Publicado em: 27 fev. 2013.

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Leia também:
1º. Congresso Internacional de Língua Portuguesa na Universidade Lusíada de Lisboa – 25 de fevereiro de 2013
Lusofonia: a Língua é apenas um ponto de partida – 16 de janeiro de 2013

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