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Línguas locais nas escolas das províncias de Angola

In Lusofonia e Diversidade on 26 de Fevereiro de 2013 by ronsoar Tagged: , , ,

Extraído do Jornal de Angola (Luanda, Angola) e da Rádio Nacional de Angola
23 de fevereiro de 2013

Cornélio Calei defende o ensino e a preservação das línguas locais em Angola.

O Dia Internacional da Língua Materna foi celebrado também em Angola nesta última quinta-feira, 21 de fevereiro. A data foi instituída em 1999 pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. O objetivo desse dia é de reconhecer a importância da diversidade linguística no mundo para o desenvolvimento das sociedades contemporâneas.

Da mesma forma como há a defesa de um papel de presença para a Língua Portuguesa no mundo, em nome do multilinguismo e do multiculturalismo, ocorre também a defesa pela preservação das línguas locais faladas pelos povos dos países da Lusofonia, das línguas autóctones que convivem com a Língua Portuguesa – que tem estatuto oficial e papel de Língua de união nacional e de contato internacional.

O secretário de Estado da Cultura da República de Angola, Cornélio Calei, disse que a preservação da língua materna é uma forma de consolidar a identidade nacional angolana.

“Nós teremos que perceber que as nossas línguas, que falamos, que falam os nossos pais, devem ser preservadas, o que nos facilita percebermos as línguas dos outros”, disse.

–– Transmissões de aulas das línguas nacionais ––
Em Angola, o processo de inserção das línguas nacionais no sistema de ensino teve início na década de 1990, com as transmissões de aulas das línguas locais pela Rádio Nacional de Angola e pela TPA, a Televisão Pública de Angola.

O professor universitário José Miúdo Ndambuca foi um dos precursores nesse processo de adoção das línguas angolanas pela comunicação social. “Todo o processo tem um princípio e a sua evolução. Como elemento ativo da campanha de influência para a introdução das línguas nacionais no sistema de ensino, estou satisfeito em ver um dos meus sonhos tornado realidade. Isto confirma a valorização da nossa cultura”, declarou.

–– Ensino das línguas angolanas em Huíla ––
Neste ano letivo, na província de Huíla, no centro-sul do país, cerca de 27 escolas da primeira à 12ª. classe ministrarão aulas das línguas nhianeca-humbe, quimbundo e ganguela, e 120 professores receberam treinamento para o projeto das línguas locais.

“Estamos a criar condições para a generalização. O processo de ensino e aprendizagem não é uma especialidade por ser uma disciplina. Ou seja, ensina-se a língua e não na língua”, declarou o coordenador do departamento da Direção Provincial da Educação de Huíla, Ezequiel Kambindangolo.

–– Namibe: carência de professores e de material ––

Sala de aula de ensino básico em Angola: programa de ensino das línguas autóctones nas províncias, da primeira à 12ª. classe.

 

Outras províncias, sobretudo do sul de Angola, demonstraram interesse com a experiência de fornecer aulas para ensino das línguas locais. O coordenador da Direção da Educação de Namibe, César Joaquim, quer introduzir a iniciativa nas escolas da província.

“Estamos numa visita de troca de experiências no domínio das metodologias de ensino e formação. As línguas nacionais no ensino da Huíla já decorrem há quatro anos e é notória a maior mobilização de recursos humanos. Viemos aprender a pôr em prática na nossa região”, argumenta César Joaquim.

O coordenador do Namibe exaltou o projeto-piloto executado em Namibe no ano passado, apesar da carência de professores treinados e de material didático.

A formação de professores e de manuais é o maior desafio das autoridades de educação locais para a revitalização das línguas dos povos de Angola. Os coordenadores e professores acreditam no ensino em ambiente escolar como meio para promover o resgate dos valores culturais e linguísticos do povo angolano.

“Temos ainda um longo caminho a percorrer. Sou da opinião que em primeiro lugar devemos consolidar bem o que já começámos. Devemos passar do ensaio para avançar até à universidade”, defende José Miúdo Ndambuca, sugerindo que cada língua autóctone deve ser ensinada nas regiões que concentram grupos linguísticos maioritários.

“A alma de um povo é a cultura, e a chave da cultura é a língua, pela sua importância na interação dos seres humanos. Só através das línguas é possível transmitir a herança cultural, artística, económica, política ou familiar”, conclui.  :::

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–– Extraído do Jornal de Angola (Luanda, Angola) e da Rádio Nacional de Angola ––

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Leia também:
Angola: província de Huíla com laboratório para ensino de línguas – 11 de outubro de 2012
As línguas nacionais de Angola: uma vitória sobre o preconceito – 24 de dezembro de 2012

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