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Universidade de Coimbra celebra 500 anos da Biblioteca com aposta na Lusofonia

In Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 21 de Fevereiro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , ,

Da RTP (Portugal) e da Agência Lusa
11 de fevereiro de 2013

A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra – fundada na época em que a universidade era sediada em Lisboa – celebra 500 anos de existência neste mês de fevereiro.
 

A comemoração dos 500 anos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC) vai ser uma oportunidade para a instituição valorizar o seu papel na afirmação da Língua e no reforço da Lusofonia.

Com fundos bibliográficos e documentais distribuídos por sete pisos, a BGUC “é a biblioteca central do mundo lusófono”, o que confere à Universidade de Coimbra “uma responsabilidade e uma oportunidade”, disse à Agência Lusa o reitor João Gabriel Silva.

A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra “é a biblioteca central do mundo lusófono”, segundo o reitor João Gabriel Silva.

Herdeira da Casa da Livraria, mencionada em uma ata de 12 de fevereiro de 1513, quando a Universidade portuguesa funcionava em Lisboa, a Biblioteca Geral promove, a partir de terça-feira [12 de fevereiro], um programa comemorativo que termina com um congresso internacional, em janeiro de 2014.

“Somos a universidade do mundo que tem mais estudantes brasileiros fora do Brasil”, realçou o reitor, ao confirmar que a BGUC “é a mais rica biblioteca da Lusofonia”.

Foi na Universidade de Coimbra que “a Língua Portuguesa nasceu, onde foi estudada e desenvolvida”, sublinhou.

“Os tesouros guardados na Biblioteca são um excelente ponto de referência para a estratégia que temos de seguir”, acrescentou João Gabriel Silva.

No último ano letivo (2011-2012), os brasileiros constituíram o grupo mais numeroso dos alunos estrangeiros da Universidade de Coimbra, totalizando 1.806 inscritos nas diferentes faculdades.

Com um acervo de 1,5 milhões de livros, disponíveis em 28 quilómetros de estantes, a BGUC quer aproveitar as comemorações como contributo para reforçar as afinidades históricas, linguísticas e culturais dos oito países lusófonos: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

“Temos este conhecimento acumulado, que nos permite encontrar um lugar neste mundo globalizado”, disse João Gabriel Silva, associando a afirmação de Portugal no plano internacional ao papel da Universidade de Coimbra entre as principais universidades dos vários continentes.

A Universidade de Coimbra tem diversos estadistas da Lusofonia como doutores honoris causa – como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e o primeiro-ministro Xanana Gusmão, do Timor-Leste.
 

–– “A mais rica biblioteca do mundo lusófono” ––

O estadista e diplomata brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva foi destacado professor da Universidade de Coimbra.

“Apesar de não se conhecer nenhum documento oficial atestando a fundação da biblioteca, a existência da Casa da Livraria é expressamente referida em uma ata de 12 de fevereiro de 1513”, refere uma nota da assessoria da Universidade de Coimbra.

Essa ata inclui “uma determinação do reitor para que se fizessem obras no respetivo edifício”, adianta, concluindo que, “nesse sentido, pode afirmar-se que a BGUC se situa numa linha de continuidade que tem, pelo menos, cinco séculos”.

“A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra é a maior e a mais rica biblioteca universitária de todo o mundo lusófono, repartindo-se atualmente por dois edifícios: a Biblioteca Joanina, acabada de construir em 1728, e o edifício principal, que entrou em funcionamento pleno no ano de 1962”, afirma o diretor da BGUC, José Augusto Cardoso Bernardes, na página da instituição na Internet.

A BGUC “tem à sua guarda um vasto acervo, composto por documentos de vário tipo, como manuscritos, mapas, publicações periódicas e livros, alguns dos quais de valor inestimável, num cômputo geral que se aproxima rapidamente dos dois milhões”, segundo José Augusto Bernardes.

“Já antes da transferência definitiva” da Universidade portuguesa, de Lisboa para Coimbra, em 1537, por decisão do rei D. João III [rei entre 1521 e 1557], “encontram-se provas documentais de uma Livraria do Estudo, com funcionamento regulamentado pelos vários estatutos, determinando mesmo, os de 1591 e de 1597, que tal funcionamento se adequasse ao caráter de livraria pública”.

No século XX, no âmbito das obras da cidade universitária, “deu-se prioridade à adaptação das instalações da antiga Faculdade de Letras a uma nova biblioteca”, que iniciou a atividade em 1962.

“O benefício do depósito legal, que detém desde 1932, bem como aquisições, doações e incorporações várias, trouxeram-lhe um progressivo e vultuoso crescimento”, lê-se no portal da Universidade de Coimbra.

A Biblioteca Geral reparte-se pelo novo edifício e pela Biblioteca Joanina, erguida por iniciativa de D. João V [rei entre 1707 e 1750], monumento nacional cuja riqueza arquitetónica e decorativa beneficiou do ouro do Brasil que chegava a Portugal no século XVII.

O edifício joanino alberga “um riquíssimo conjunto bibliográfico” constituído por obras impressas do século XVI aos finais do século XVIII.

A Biblioteca Joanina, um monumento arquitetónico de Portugal, foi erguida entre 1717 e 1728 por iniciativa do rei D. João V.
 

–– Universidade de Coimbra: uma das mais antigas do mundo ––
A Universidade de Coimbra é uma das mais antigas universidades da Europa, criada em Lisboa, em 1290, e transferida definitivamente para Coimbra em 1537. Nela estudaram “praticamente todas as pessoas que fizeram a construção do Brasil”, salientou.

É o caso de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), que, tendo frequentado a Faculdade de Filosofia, seria um dos seus mais destacados professores, após a Reforma Pombalina da Universidade, no século XVIII.

De regresso ao Brasil, o futuro “Patriarca da Independência” acabaria por assumir papel determinante na emancipação do Brasil face à coroa portuguesa, em 1822.

O primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto (1922-1979), também estudou em Coimbra, na Faculdade de Medicina, em meados do século passado, antes de se envolver, em Lisboa, nas atividades anticoloniais.

Vários presidentes do Brasil foram distinguidos com o título de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra, os últimos dos quais foram Lula da Silva (em 2011) e Fernando Henrique Cardoso (em 1995).

O ex-presidente e atual primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi outro dos estadistas de países lusófonos agraciados com esse grau académico, em 2011. :::

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–– Extraído da RTP Notícias (Portugal) e da Agência Lusa ––

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Leia também:
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