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Bebés podem distinguir idiomas mesmo antes de aprenderem a falar, diz estudo

In Lusofonia e Diversidade on 17 de Fevereiro de 2013 by ronsoar Tagged: , , ,

Um interessante estudo conduzido por uma linguista francesa e uma psicóloga canadiana, divulgado pela revista britânica Nature, demonstrou que crianças pequenas, criadas em famílias cujos pais falam mais de uma língua, podem reconhecer distintamente um idioma em relação a outro. Tal capacidade de distinção de línguas diferentes começa a partir dos 7 meses de idade, antes mesmo de as crianças aprenderem a falar.

A investigação pode abrir caminhos para novos métodos de percepção e ensino de línguas distintas para crianças pequenas, além de ser um estímulo para pais que falam línguas diferentes – como é o caso das famílias de comunidades lusodescendentes e lusofalantes no estrangeiro.

A seguir, a matéria sobre o assunto divulgada pela Agência France-Presse.

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–– Bebés conseguem distinguir idiomas
mesmo antes de aprenderem a falar, diz estudo ––

Da Agência France-Presse
15 de fevereiro de 2013

A psicóloga Janet Werker e a linguista Judit Gervain conduziram o estudo sobre a capacidade de reconhecimento de idiomas por bebés bilingues.
 

Antes mesmo de aprenderem a falar, crianças pequenas, como as de 7 meses, que crescem em lares bilingues adquirem a capacidade de distinguir idiomas, revela um estudo publicado esta quinta-feira [14 de fevereiro].

As cientistas ainda ficam desconcertadas diante dos mecanismos de aprendizado de idiomas e de como crianças pequenas bilingues dominam suas línguas maternas de forma tão eficiente quanto as monolingues (que falam apenas um idioma).

Um novo estudo sobre o assunto demonstrou que, ao contrário de suas pares monolingues, as crianças que aprendem dois idiomas ao mesmo tempo desenvolvem a habilidade de identificar um idioma pela duração, assim como pela entonação de palavras e por sua posição nas frases.

“A partir dos 7 meses de idade, os bebés percebem as diferenças entre as duas línguas e usam essas diferenças como marcações para distingui-las”, explicou a coautora do estudo, Janet Werker, psicóloga da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá).

O estudo, desenvolvido por ela e pela linguista francesa Judit Gervain, da Universidade de Paris-Descartes, foi divulgado na revista britânica Nature Neuroscience. Ambas examinaram crianças de sete meses que cresceram expostas a duas línguas com ordem de palavras inversa, como o inglês e o japonês.

Em idiomas como o inglês, o italiano, o espanhol e o português, preposições e artigos costumam vir antes de “palavras de conteúdo”, como os substantivos (“para Londres” / “uma casa”), enquanto em outras línguas eles aparecem depois (Tokyo ni = “Tóquio para” em japonês, ou etxe bat = “casa uma” em basco) e a entonação da palavra de conteúdo é mais alta.

De acordo com o estudo, os bebés reconhecem as línguas pela entonação das palavras e por sua ordem nas frases.

O teste consistiu em familiarizar as crianças, através da repetição, com uma entre duas línguas falsas, uma com o ritmo do grupo de idiomas como o inglês, a outra similar ao grupo do japonês.

“Frases” foram reproduzidas para as crianças através de alto-falantes escondidos na “língua” que elas aprenderam e na que elas não aprenderam, e mediu-se o tempo que elas levaram para olhar na direção de cada um.

Os bebés bilingues “olharam por vários segundos a mais” na direção do “idioma” a que tinham sido expostos, uma medida científica de reconhecimento, disse Janet Werker.

Quando o mesmo teste foi aplicado em crianças monolingues criadas em lares onde se fala inglês, elas não fizeram qualquer distinção entre as duas línguas.

“Nosso estudo demonstrou que crianças pequenas que crescem bilingues em idiomas que têm uma ordem de palavras diferente são capazes de usar estas pistas de duração das palavras e de entonação, ao contrário das crianças pequenas que crescem monolingues”, disse Werker.

“Por exemplo, em inglês a palavra the (o, a, os, as) e a palavra with (com) repetem-se com muito mais frequência que outras”, observa Judit Gervain.

“As crianças aprendem basicamente uma língua contando as palavras. Mas os bebés que crescem em famílias bilingues precisam de mais recursos do que isso. E assim desenvolvem novas estratégias das quais as crianças monolingues não têm tanta necessidade”, acrescenta a linguista.

“Se você fala dois idiomas em casa, não tema, não é um jogo de soma zero. Seu bebé está bem equipado para manter estes idiomas em separado e eles fazem isso de forma espantosa”, completou a psicóloga.  :::

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–– Extraído da Agência France-Presse ––

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