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Fundação Gulbenkian em Paris com “espírito internacional, de entender o mundo”

In O Mundo de Língua Portuguesa on 20 de Janeiro de 2013 by ronsoar Tagged: , ,

Da Agência Lusa
16 de janeiro de 2013

O Centro Calouste Gulbenkian em Paris tem agenda para o início de 2013 dedicada às relações da Lusofonia com o mundo contemporâneo.
 

João Caraça, há um ano a dirigir o Centro Calouste Gulbenkian em Paris, faz um balanço “muito positivo” do trabalho desenvolvido em 2012, e lembra que a delegação “não está exclusivamente preocupada com os portugueses” em França.

“A Língua tem que participar no debate internacional”, afirmou João Caraça, diretor da Fundação Gulbenkian em Paris.

Em declarações à Agência Lusa, João Caraça afirmou que “uma parte muito considerável” do trabalho da delegação da fundação em França é em “defesa” da Língua Portuguesa – no último ano, por exemplo, triplicaram os leitores da biblioteca, a maior em português fora de Portugal e do Brasil – mas, ressalvou, as tarefas não se esgotam aí.

Esta delegação, como a sua casa-mãe, “não está exclusivamente preocupada com os portugueses”. A Fundação “é uma instituição internacional, cuja sede é em Lisboa, e que tem atividades espalhadas um pouco por todo o mundo”.

“Temos que pensar sempre na relação da nossa Língua e da nossa identidade com o exterior. A função essencial de uma fundação como a nossa é ter este espírito internacional, este espírito de entender o mundo, de contribuir para criar um quadro de referência intelectual, para nós todos, cidadãos, podermos entender melhor o que se passa”, explicou.

Por cidadãos, precisou, deve entender-se “o público parisiense e cosmopolita que passa por Paris”, e, sublinhou, “isto não exclui os portugueses”.

A Língua – qualquer que ela seja – “tem que participar no debate internacional”, defendeu. Nós, portugueses, “fazemos parte desse debate internacional e temos que ser parte desse debate internacional”. Se “nos fecharmos sobre nós próprios, não vamos a lado nenhum”, acrescentou.

Neste sentido, a responsabilidade das fundações como a Gulbenkian, no estímulo ao debate sobre o presente e sobre o futuro, aumenta em momentos como o que vivemos, “quando tudo aquilo que se passa na esfera da representação mediática começa a estar muito ocupado com um certo número de questões”.

“É muito importante que se restabeleça um balanço, que se diga: ‘Atenção, há muitas outras questões muito importantes’. As fundações têm o papel de criar quadros de orientação sobre o longo prazo. Se nós não pensarmos o longo prazo, ficamos opacos”, explicou.

–– Atividades da Fundação Gulbenkian em Paris para 2013 ––
O Centro da Fundação Calouste Gulbenkian, localizado no 7º. distrito (arrondissement) de Paris, abre a agenda de 2013 com duas exposições em simultâneo: Artistas Poetas, Poetas Artistas – Poesia e Artes Visuais do Século XX Português, e Cáucaso – Memórias de Viagem, uma exposição de fotografias de Pauliana Valente Pimentel e Sandra Rocha, tiradas durante uma viagem em que recriaram o percurso que Calouste Gulbenkian –(*)–, então muito jovem, fez por aquela zona, no final do século XIX.

Da agenda para este ano constam também Encontros da Lusofonia e outro ciclo de conferências sobre o pensamento contemporâneo, com o título Tudo se Transforma.

Entre abril e julho, destacou ainda o diretor, a fundação, em Paris, vai acolher “uma exposição de caráter mais experimental”, intitulada O Fim da Linguagem, na qual se vai explorar “o que é o silêncio e o que é a linguagem verbal que não se utiliza”.

–– “A vida é continuamente percorrer caminhos” ––
Este doutorado em Física Nuclear em Oxford, que foi diretor do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian até dezembro de 2011, diz que continua a trabalhar em Paris “com o mesmo entusiasmo e com a mesma determinação” que tinha há um ano, quando assumiu funções.

“A vida é continuamente percorrer caminhos, sabendo que não podemos fazer tudo. Temos que fazer escolhas, conseguir implementar, às vezes, projetos que são mais facilmente [exequíveis] num certo espaço e num certo tempo, depois deixar outros para mais tarde. Olho para um copo sempre meio cheio”, concluiu.

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–– Nota: ––
–(*)–  Calouste Gulbenkian (1869-1955) foi um homem de negócios de origem armênia, nascido em Istambul (então Império Otomano) e falecido em Lisboa. Foi um dos pioneiros da indústria do petróleo no Médio Oriente e grande admirador de obras de arte. Estabeleceu-se em Portugal a partir de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. Ao falecer, era um dos homens mais ricos do mundo e também muito dedicado a obras assistenciais, sobretudo às destinadas à comunidade armênia.

Uma parte de sua fortuna e de seu acervo artístico constituiu-se na Fundação Calouste Gulbenkian, fundada em Lisboa em 1956 e dedicada à divulgação das artes, da cultura e da ciência.

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• Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação em França
39, boulevard de la Tour-Maubourg – 7e., Paris
<http://www.gulbenkian-paris.org/fr/accueil>

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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