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CPLP é um mar de oportunidades – Murade Murargy

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 9 de Janeiro de 2013 by ronsoar Tagged: , , ,

O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o embaixador moçambicano Murade Murargy, escreveu artigo recente em que elogiou as iniciativas desempenhadas nas mais diversas áreas para a integração e a cooperação mútua entre os países do mundo lusófono.

Murargy sublinhou o facto de a Comunidade estar bem distribuída geograficamente no mundo, o que constitui para os países lusófonos uma vantagem na inserção no cenário mundial. “O que pode parecer um entrave, não é: os nossos Países tornam-se portas privilegiadas entre regiões e sub-regiões à escala planetária, fortalecendo-nos no plano internacional.”

O secretário-executivo também destacou que a entidade lusófona, unida pela Língua Portuguesa e por aspirações comuns de solidariedade e desenvolvimento, representa um “mar de liberdades e de oportunidades” que aproxima em vez de separar.

Abaixo, o artigo do secretário-executivo da CPLP Murade Murargy, publicado no dia 29 de dezembro no Diário de Notícias, de Lisboa. :::

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–– CPLP é um mar de oportunidades ––

Murade Murargy
do jornal Diário de Notícias
29 de dezembro de 2012

O nosso mundo vive hoje momentos de grandes desafios, o que cria uma excelente oportunidade para o desenvolvimento e concretização dos mais altos desígnios da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), uma organização solidária de potencial intercontinental e transoceânica.

No âmbito da I Reunião de Ministros do Comércio da CPLP, realizada este ano, tomou-se em consideração as especificidades e os compromissos regionais para a criação de um quadro orientador para a cooperação económica e empresarial na CPLP. Foram adotadas propostas de mecanismos elaborados por um Grupo de Peritos, baseadas em “clusters de desenvolvimento”. São “clusters” e sectores de desenvolvimento de interesse comum aos nossos países o Conhecimento (Investigação e Desenvolvimento), as Novas Tecnologias, a Agricultura e o Desenvolvimento Rural, as Infraestruturas, o Mar e Recursos Naturais e ainda os sectores da Energia e do Turismo. Na prática, temos quatro vertentes fundamentais, que constituirão os eixos de cooperação económica na CPLP, nomeadamente a melhoria do ambiente de negócios para a promoção do comércio, do investimento, da capacitação institucional e empresarial e a otimização dos mecanismos de financiamento.

No âmbito dos parceiros sociais, de suma relevância, sublinha-se a Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa (CSPLP) como parceira na qualidade de Observador Consultivo, integrando variadíssimas centrais sindicais de alcance global, tendo como membros efetivos a CGSILA e UNTA de Angola, a CUT, FS e UGT do Brasil, a CCSL e UNTC de Cabo Verde, a UNTG da Guiné-Bissau, a CONSILMO e OTM de Moçambique, a CGTP e UGT de Portugal, a ONTSTP e UGT de São Tomé e Príncipe, e a KSTL de Timor-Leste, e como membros observadores a CIG da Galiza e a ATFPM de Macau.

A CSPLP e a Confederação Empresarial da CPLP propuseram na Cimeira de Luanda, em 2010, a criação do Conselho Económico e Social da CPLP e sublinhando a importância do Estatuto do Cidadão Lusófono, dois enfoques estratégicos que nos podem indicar caminhos para o desenvolvimento sustentável e harmonioso das nossas sociedades.

Os países da CPLP estão integrados nos seus respetivos grupos regionais – Portugal na União Europeia, os cinco PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa] na União Africana, a Guiné-Bissau na UEMOA [União Económica e Monetária da África Ocidental] e CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], o Brasil no Mercosul [Mercado Comum do Sul], Cabo Verde na CEDEAO, Timor-Leste inserido na ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático] e Angola e Moçambique na SADC [Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral]. O que pode parecer um entrave, não é: os nossos Países tornam-se portas privilegiadas entre regiões e sub-regiões à escala planetária, fortalecendo-nos no plano internacional. Paralelamente, estão formalmente constituídos mais de 30 Grupos CPLP nos países onde existem mais de três representações diplomáticas dos nossos Estados membros nas regiões mais dinâmicas da economia mundial.

Para Murargy, a adoção de posições comuns nas organizações internacionais garante à CPLP vitalidade e projeção global.

Para Murargy, a adoção de posições comuns nas organizações internacionais garante à CPLP vitalidade e projeção global.

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Em matéria de concertação política e diplomática, a vitalidade está garantida pela adoção de posições comuns nas organizações internacionais, pelas consultas, intercâmbios, trocas de experiência e colaboração daí resultantes, reforçando as relações ao nível bilateral e multilateral, garantindo-nos projeção no mundo global.

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Sendo a CPLP multissectorial, pluridisciplinar e global, lembramo-nos de outro elemento que nos liga: o mar. Num quadro de preocupações com o desenvolvimento sustentável das atividades ligadas ao mar com impacto ambiental, social e económico, constituíram-se os objetivos gerais da Estratégia da CPLP para os Oceanos, almejando ainda a segurança e vigilância marítima, através de interligação de sistemas de controlo, de acompanhamento e de informação. Estas capacidades sinérgicas são de extrema importância nesta nova ordem mundial, ativando ações desde busca e salvamento marítimo, como a luta contra a pesca ilegal, o tráfico de ilícitos e o combate contra todas as formas de crime transnacional organizado.

Ao enfrentarmos um mundo globalizado com ameaças cada vez mais assimétricas e difusas, por isso, conscientes que sem segurança e estabilidade não há desenvolvimento, a concertação para o desenvolvimento do sector da Defesa e Segurança na CPLP, no respeito pelo quadro constitucional dos Estados membros, é condição para o aprofundamento do desenvolvimento da estabilidade e geração de condições para a prosperidade económico-social dos países, num ambiente de confiança. Assim, os Exercícios Militares Conjuntos e Combinados da Série “Felino”, desenvolvidos no âmbito da cooperação técnico-militar, têm a finalidade de permitir a interoperabilidade das Forças Armadas dos Estados membros da CPLP e o treino para o emprego das mesmas em operações de paz e de assistência humanitária, sob a égide da ONU [Organização das Nações Unidas].

Antecipando novos desafios, elegeu-se para grande lema da atual presidência moçambicana da CPLP a “Segurança Alimentar e Nutricional” a qual está intimamente ligada à capacidade e aprovisionamento agrícolas. Se conseguirmos, a partir da agricultura, desenvolver uma relação comercial entre empresas no nosso espaço comunitário, ao mesmo tempo garantindo o aprovisionamento dos bens alimentares às nossas populações, fixamos um bom ponto de partida.

Gostaria de realçar que a cooperação multissectorial da CPLP incide, ainda, em áreas pilares como a Saúde, através do Plano Estratégico de Cooperação na Saúde, a Igualdade de Género e o Ambiente. A promoção e defesa da Língua Portuguesa, assim como a ação cultural para o aprofundamento do conhecimento mútuo, complementam a nossa ação.

É da responsabilidade de todos nós, dos responsáveis políticos à sociedade civil, embarcarmo-nos neste projeto que representa em si um mar de liberdade e de oportunidades.  :::

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MURARGY, Murade. CPLP é um mar de oportunidades.
Extraído do jornal Diário de Notícias – seção Opinião.
Lisboa, Portugal.
Publicado em: 29 dez. 2012.

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