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Brasil: “não há motivo para adiar Acordo Ortográfico”, dizem especialistas

In Defesa da Língua Portuguesa, O Mundo de Língua Portuguesa on 6 de Janeiro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , ,

Do portal Terra Brasil
28 de dezembro de 2012

Em 28 de dezembro último, o Governo brasileiro sancionou o adiamento da obrigatoriedade do Acordo Ortográfico para janeiro de 2016.
 

O adiamento da obrigatoriedade do uso do novo Acordo Ortográfico [no Brasil] para 2016 é desnecessário, dizem especialistas. As mudanças adotadas desde janeiro de 2009 já aparecem em materiais didáticos, jornais, revistas e outros meios de comunicação – o que, para o professor do Departamento de Linguística da Universidade de São Paulo, José Luiz Fiorin, é um sinal de sua consolidação. Mesmo assim, o Itamaraty [o Ministério das Relações Exteriores do Brasil] elaborou a minuta do decreto que prevê a extensão do prazo de adaptação – documento que, para ser validado, teria de ser assinado pela presidente da República, Dilma Rousseff, após análise da área jurídica da Casa Civil.

Os senadores Ana Amélia Lemos e Cyro Miranda defenderam o tempo maior de transição ao Acordo no Brasil.

A proposta do adiamento de três anos foi amplamente defendida pelo senador Cyro Miranda [do Partido da Social-Democracia Brasileira, pelo Estado de Goiás], que sustentou o argumento de que o tempo seria útil para discutir novas alterações para a nova ortografia. Além dele, a senadora Ana Amélia Lemos [do Partido Progressista, pelo Rio Grande do Sul] havia apresentado uma proposta de extensão do prazo para 2019 – mais seis anos, durante os quais as duas regras coexistiriam a fim de solucionar pontos controversos e de promover a integração entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O Acordo, assinado em 2008 por todos os membros da CPLP, exceto Angola e Moçambique, enfrenta movimentos contrários, principalmente em Portugal.

Para a professora do Departamento de Linguística da Universidade de Brasília, Enilde Faulstich, o desacordo na CPLP leva a questão muito mais para o lado político e comercial do que para a gramática em si. “Eles foram signatários, mas estão resistindo a aplicar as regras”, observa a professora. Enilde acredita que a situação replica todas as tentativas anteriores de estabelecer uma unificação das línguas, ainda no século passado. Quando Portugal propunha uma alteração, o Brasil não aceitava, e vice-versa. A professora também demonstra preocupação pelo precedente que a iniciativa abre para novos adiamentos. “Daqui a três anos, o prazo será curto de novo”, enfatiza.

Enilde Faulstich não concorda com o adiamento do Acordo. “Daqui a três anos, o prazo será curto de novo.”

O argumento de que professores e alunos não estariam preparados para dar o próximo passo rumo à obrigatoriedade da nova ortografia também não é válido, segundo Enilde. “Se isso é verdade, depois de três anos com o Acordo em vigor, pode dar mais três anos que não vai mudar”, aposta a professora. Para ela, o uso das regras conforme o Acordo [de 1990 e que vigoram no Brasil desde] 2009 também já está consagrado, uma vez que imprensa e mercado editorial já incorporaram as mudanças de aplicação do acento agudo, [da supressão] do trema e do hífen. “Os dicionários colocam claramente o Acordo exposto. É preciso que haja um alinhamento entre os países de Língua Portuguesa para utilizá-lo”, destaca.

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Para o professor José Luiz Fiorin, não se justifica o adiamento, pois “a nova ortografia está assimilada”.

Algumas regras ainda provocam dúvidas, como o emprego do hífen. Fiorin, entretanto, observa que a regra vigente anteriormente, aplicada desde 1946, também não inspirava um consenso nesse sentido. “Dúvida é problema de ensino. Em geral, a nova ortografia está assimilada”, reitera.O professor avalia que haveria espaço para modificações e aperfeiçoamentos na ortografia apresentada [oficialmente no Brasil] em 2009, mas é impossível manter um regime de escrita estável se, a cada ano, forem feitas mudanças nas regras.

A professora da Universidade de Brasília sugere que, independentemente de os demais países aceitarem ou não, o Brasil não deva mais permitir a dupla ortografia. “A Língua precisa ser ensinada com segurança”, frisa. Para Enilde, o governo precisa tomar uma decisão final sobre o assunto, em vez de ficar postergando a data da obrigatoriedade – uma medida que não surtirá o efeito pretendido, segundo os especialistas.

“A reforma no Brasil está implantada. Não precisa mais prazo”, conclui Fiorin.  :::

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Nova ortografia: não há motivo para adiamento, dizem especialistas.
Extraído do portal Terra Brasil – seção Educação.
Publicado em: 28 nov. 2012.

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Leia também:

• O Acordo Ortográfico para integrar o mundo de Língua Portuguesa – 23 de dezembro de 2012

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