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Brasil estuda adiar obrigatoriedade do Acordo Ortográfico para 2016

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional on 22 de Dezembro de 2012 by ronsoar Tagged: , , , , , ,

O Brasil estuda ficar em sincronia com Portugal e também adiar a obrigatoriedade do Acordo Ortográfico a partir de 2016.
 

Durante esta semana, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que o Governo brasileiro estuda o adiamento para 2016 da vigência plena do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990. Assim, Brasil e Portugal teriam mais três anos para a coexistência das duas normas ortográficas – a antiga, que cairá em desuso, e a nova, do Acordo.

Em setembro de 2008, foi sancionado no Brasil decreto que implementou o Acordo Ortográfico no país. O prazo de transição inicialmente seria de três anos, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2012.

Dois anos depois, a República Portuguesa declarou que o Acordo de 1990 havia começado a ser implementado em maio de 2009; porém, foi dado prazo de transição de seis anos, a expirar em 2015, quando haverá o uso obrigatório das novas regras.

A decisão oficial brasileira de adiar o início da vigência da obrigatoriedade do Acordo Ortográfico para a partir de 2016 seria para sincronizar com o calendário de vigência das mudanças ortográficas em Portugal.

Até que entre em vigor o Acordo nos dois lados do Atlântico, já terá ocorrido a divulgação do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, que está em fase de pesquisa e elaboração a cargo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e que será levado a público na data provável de julho de 2014.

Assim, volta-se ao programa original do Acordo Ortográfico, de entrada em vigor após divulgação de um Vocabulário Comum, de elaboração conjunta pela Lusofonia.

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–– Governo brasileiro adia novo Acordo Ortográfico para 2016 ––

Fernanda Odilla e Flávia Foreque
do jornal Folha de S. Paulo (São Paulo, Brasil)
20 de dezembro de 2012

O senador brasileiro Cyro Miranda Júnior defendeu o adiamento da vigência do Acordo de 1990.

O governo federal [do Brasil] vai adiar para 2016 a obrigatoriedade do uso do novo Acordo Ortográfico. As novas regras, adotadas pelos setores público e privado desde 2008, deveriam ser implementadas de forma integral a partir de 1º. de janeiro de 2013.

A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% das palavras em português [no Brasil]. Com o adiamento, continuará sendo opcional usar, por exemplo, o trema e acentos agudos em ditongos abertos, como os das palavras “ideia” e “assembleia”.

Além disso, o adiamento de três anos abre brechas para que novas mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jornais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham adotado o novo Acordo, novas alterações podem ser implementadas ou até mesmo suspensas.

“Há muita insatisfação. Ganhamos tempo para refletir, discutir e reduzir o número de regras irracionais”, afirma o senador Cyro Miranda Júnior [pelo Estado de Goiás], que defendeu o adiamento e quer promover audiências com professores e embaixadores dos países de Língua Portuguesa na Casa [o Senado Federal].

A maior pressão é de professores, que reclamam terem sido excluídos das discussões.

–– Diplomacia ––
A decisão é encarada como um movimento diplomático, uma vez que o governo, diz o Itamaraty [o Ministério das Relações Exteriores do Brasil], quer sincronizar as mudanças com Portugal.

O país europeu concordou oficialmente com a reforma ortográfica, mas ainda resiste em adotá-la. Assim como o Brasil, Portugal ratificou em 2008 o Acordo, mas definiu um período de transição maior.

Não há sanções para quem desrespeitar a regra, que é, na prática, apenas uma tentativa de uniformizar a grafia no Brasil, em Portugal, nos países da África e no Timor-Leste.

O embaixador brasileiro na CPLP, Pedro Motta Pinto Coelho, defende o Acordo para que o português seja adotado pelas Nações Unidas.
 

A intenção era facilitar o intercâmbio de obras escritas no idioma entre esses oito países, além de fortalecer o peso do idioma em organismos internacionais.

“É muito difícil querer que o português seja Língua oficial nas Nações Unidas se vão perguntar: ‘Qual é o português que vocês querem?'”, afirma o embaixador Pedro Motta Pinto Coelho, representante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

A minuta do decreto do adiamento foi feita pelo Itamaraty. O texto precisa passar pela área jurídica da Casa Civil antes da assinatura da presidente da República, Dilma Rousseff.

–– Objetivos da mudança ––
• Melhorar o intercâmbio cultural entre os países em que se fala português
• Reduzir o custo econômico da produção e da tradução de livros
• Facilitar a difusão bibliográfica e de novas tecnologias
• Aproximar as nações de Língua Portuguesa


 

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ODILLA, Fernanda; FOREQUE, Flávia. Governo adia novo Acordo Ortográfico para 2016.
Extraído do jornal Folha de S. Paulo – São Paulo, Brasil.
Publicado em: 20 dez. 2012.

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–– Academia Brasileira de Letras já propõe mudanças
e ampliação do Acordo Ortográfico ––

Vitor Abdala
da Agência Brasil
21 de dezembro de 2012

Para Evanildo Bechara, mudanças só devem ser discutidas depois de o Acordo estar plenamente em vigor.
 

Rio de Janeiro – As novas regras ortográficas da Língua Portuguesa ainda não entraram plenamente em vigor, mas a Academia Brasileira de Letras (ABL) já tem propostas de mudanças e ampliação no Acordo. Segundo o acadêmico Evanildo Bechara, as alterações são “coisa muito pequena” diante da abrangência do Acordo Ortográfico.

Uma das alterações diz respeito à divisão de palavras compostas em duas linhas diferentes do texto, se ela tiver hífen. Pelo novo Acordo, se o primeiro termo da palavra composta ficar em uma linha de texto diferente do segundo termo, o hífen precisa ser escrito no final da primeira linha e repetido no início da segunda linha.

No exemplo do “guarda-chuva”, se “guarda” ficar na primeira linha e “chuva” na linha seguinte, a pessoa deve escrever “guarda-” e depois “-chuva”. Segundo Bechara, a Academia defende que não seja mais obrigatório repetir o hífen na segunda linha. Nesse caso, a palavra seria escrita “guarda-” e depois “chuva”.

“Isso é muito difícil de ser obedecido na prática. A imprensa encontra muita dificuldade para obedecer a essa regra. Vamos propor que o hífen que partilha de uma linha para outra não seja repetido”, disse Bechara.

O novo Acordo também prevê que o hífen seja suprimido em palavras compostas, cujo primeiro termo se encerre em vogal e o segundo, nas consoantes “r” ou “s”. As palavras são unidas e o “r” ou “s” é duplicado, como é o caso de “contrarregra”.

Mas a ABL propõe que a regra não se aplique a palavras cujo segundo termo seja um nome próprio, caso de “anti-Stalin” ou “anti-Saddam”. Para Bechara, o ideal é que o hífen seja mantido, para que a letra maiúscula do nome próprio seja conservada.

Outra proposta é incluir, no Acordo Ortográfico, a regra dos porquês. No Brasil, por exemplo, escreve-se “porque” (junto) quando é uma conjunção que dá ideia de causa ou explicação. Mas nas perguntas, por exemplo, se escreve “por que” (separado). De acordo com Bechara, isso não acontece em Portugal, já que lá o “porque” é escrito junto mesmo nas perguntas, salvo algumas exceções.

“Isso viria muito a facilitar a vida de todo mundo. Vamos discutir esse caso, para ver, porque o Acordo não é apenas a unificação [da ortografia], mas também a simplificação. Esse ‘porque’ é tratado pelos Acordos Ortográficos de 1943 [do Brasil] e de 1945 [de Portugal]. Mas a Academia ainda não tem uma posição [de como essa questão seria tratada]. Isso ainda está sendo discutido”, afirmou.

Bechara também defende que o Acordo elimine as exceções às regras, uma vez que isso complica, ao invés de simplificar a ortografia. Apesar de desejar propor as mudanças, o acadêmico defende o Acordo.

Ele acredita que essas mudanças só devem ser discutidas depois que o Acordo estiver plenamente em vigor. Segundo ele, o uso corrente da nova ortografia pode, inclusive, suscitar novas questões e problemas a serem resolvidos.

“É importante que o Acordo seja implantado sem demora, para que daqui a um ou dois anos, quando todas as dúvidas e dificuldades aflorarem pelo uso, os governos se reúnam mais uma vez, com ajuda dos técnicos, para que os problemas e os casos omissos apareçam e possam ser, daqui a três, quatro, cinco anos, resolvidos.”  :::

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ABDALA, Vitor. ABL já propõe mudanças e ampliação do Acordo.
Extraído da Agência Brasil.
Publicado em: 21 dez. 2012.

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