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A era do petróleo em português – Ruben Eiras

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 24 de Novembro de 2012 by ronsoar Tagged: , , ,

Ruben Eiras é jornalista do Expresso
e executivo da Galp Energia.

 

O espaço da Lusofonia pode se tornar o novo polo do petróleo para o mundo. E com isso, a Língua Portuguesa pode se converter no novo idioma dos negócios relativos ao petróleo e aos combustíveis fósseis. Cerca de metade das novas jazidas de petróleo e gás descobertas a partir de 2005 localizam-se em países de Língua Portuguesa.

De acordo com Ruben Eiras, jornalista e executivo da Galp Energia, “isto significa que o espaço lusófono não só está a reforçar a sua importância geopolítica na economia global em função dos vastos recursos petrolíferos existentes, mas que também poderá afirmar-se como uma força tecnológica estratégica naquele domínio energético”.

Este é o tema do artigo escrito por Ruben Eiras, em sua coluna Geoenergia do diário Expresso, de Lisboa, aqui transcrita em Ventos da Lusofonia.

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–– A era do petróleo em português ––

Ruben Eiras
do diário Expresso
22 de novembro de 2012

Os países da Lusofonia podem se tornar os novos polos mundiais da produção e do comércio de petróleo.
 

Cerca de 50% das novas descobertas de petróleo e gás realizadas desde 2005 estão localizadas em países lusófonos. Este será um factor transformacional da importância geopolítica do português na economia global.

Com efeito, esta tendência de fundo foi o tema de capa numa edição recente da prestigiada revista Monocle, que classificou o português como “a nova Língua global do poder e do comércio”.

De facto, segundo as últimas análises das consultoras IHS e Bernstein Analysis [ambas norte-americanas], três Países de Língua Oficial Portuguesa lideram o ranking [classificação] das 10 maiores descobertas de petróleo e gás do planeta na presente década.

–– Uma nova força geopolítica lusófona ––
Brasil e Moçambique lideram esta lista, em primeiro e segundo lugar, respetivamente. Aqueles dois países concentram quase metade das novas reservas de hidrocarbonetos da economia global: de um total estimado de 72.700 biliões de barris de petróleo equivalente (BOE) identificados, perto de 19 mil milhões encontram-se no gigante sul-americano e 15 mil milhões em Moçambique (sobretudo gás natural).

A seguir a aquele país lusófono, situam-se o Irão (9 biliões BOE) e a Noruega (5 biliões BOE). E em Angola foram igualmente descobertos mais 2 biliões de BOE, ocupando este país o 10º. lugar da lista.

Mas ainda há outra característica diferenciadora desta nova era lusófona do petróleo e gás: a vasta maioria destas reservas (quase 60%) está localizada em águas ultraprofundas. Portanto, a extensão da Plataforma Continental portuguesa revela-se de acrescida importância estratégica, pois o potencial de riqueza em recursos energéticos pode ser assinalável.

Isto significa que o espaço lusófono não só está a reforçar a sua importância geopolítica na economia global em função dos vastos recursos petrolíferos existentes, mas que também poderá afirmar-se como uma força tecnológica estratégica naquele domínio energético.

A Petrobras já está a trilhar esse caminho há mais de 30 anos. A empresa brasileira não só é a quarta maior petrolífera mundial a investir em I&D [Investigação e Desenvolvimento] como é das únicas operadoras a deter tecnologia proprietária para a exploração de petróleo e gás em águas ultraprofundas.

A Galp Energia, por sua vez, está presente em Angola, Brasil e Moçambique, e já possui parcerias de formação avançada com a Petrobras. Isto significa que existe substrato para criar uma indústria avançada de petróleo e gás, em português, no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com impacto à escala global.

As empresas Petrobras e Galp Energia operam na produção de petróleo no espaço lusófono e já possuem parcerias de formação avançada no setor em escala internacional. 

As empresas Petrobras e Galp Energia operam na produção de petróleo no espaço lusófono e já possuem parcerias de formação avançada no setor em escala internacional.
 

–– Competir na economia global em português ––
Esta transformação geopolítica também cria oportunidades para que o português se afirme como uma das línguas mais importantes para os negócios do petróleo e gás.

Com efeito, deveria existir uma coordenação estratégica entre os vários países lusófonos para que o português seja o principal idioma a ser utilizado para firmar os contratos de exploração dos recursos nos seus territórios. Esta também é outra forma de dar significado económico de dimensão global à Língua Portuguesa.

Portanto, se forem dados passos no reforço da cooperação empresarial, científica, tecnológica, legal e económica no domínio do petróleo e gás entre os países lusófonos, esta transformação geopolítica redundará na construção de uma segurança energética e prosperidade inteligentes para os povos que falam português.

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EIRAS, Ruben. A era do petróleo em português.
Do diário Expresso – coluna Geoenergia.
Lisboa, Portugal.
Publicado em: 22 nov. 2012.

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