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A redescoberta da história indo-portuguesa de Goa

In Defesa da Língua Portuguesa, Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 19 de Novembro de 2012 by ronsoar Tagged: , , ,

Mihir Nayak
Do blogue The Mitaroy (Goa, Índia)
2 de novembro de 2012

Fachada indo-portuguesa de loja em Panjim: marcas da presença da arquitetura e da Língua Portuguesa em Goa, na costa ocidental da Índia.
 

Como na maioria das relações entre colonos e nativos, Goa sempre pareceu ter tido uma relação de amor e ódio com Portugal. Goa, outrora uma colônia portuguesa, foi governada por Portugal por mais de 400 anos. E num certo sentido, a história colonial portuguesa de Goa fez o que é a Goa de hoje.

Mas como uma nova geração cresce em Goa, hoje mais familiarizada com Cristiano Ronaldo e Luís Figo como heróis portugueses em vez dos antigos governantes portugueses de Goa, o relacionamento de Goa com Portugal e com tudo que é português parece que está a mudar. De repente, tudo estava descrito em Goa como “colonial”, “português” e “latino”, e repentinamente, a história colonial de Goa parece ter se tornado uma parte integrante e intrínseca da “identidade” de Goa.

Quando comparada a outras relações coloniais na região, especialmente a relação da “Índia” com a Grã-Bretanha, esta é apenas trivial. A velha guarda – os combatentes libertadores que lutaram contra os portugueses ou os cidadãos de Goa que sofreram sob os 400 anos de domínio colonial português – ou estão mortos ou muito idosos para manterem sua proeminência e importância. Hoje, é a juventude de Goa que cresceu assistindo a Cristiano Ronaldo ou a Luis Figo na televisão quem determina o que é giro e o que não é.

Motociclistas goeses de Mormugão com camisolas de futebol de Portugal: referências da juventude de Goa sobre Portugal estão a mudar.
 

Na “teoria colonial”, quanto mais longo o intervalo de tempo a partir do fim do regime colonial, mais positivas são as lembranças da época colonial. Houve um alvoroço recente na Índia quando o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, falando em sua alma mater Universidade de Oxford, disse em um discurso que o domínio do Reino Unido sobre a Índia não era tão ruim assim. E embora isto levantasse umas bem poucas interpelações entre algumas partes da população na Índia, a maioria dos adolescentes (os ansiosos para ganhar um grau académico britânico ou os fãs do Manchester United, por exemplo) tende a concordar. E a juventude de Goa parece que está a seguir pelo mesmo caminho.

Uma área importante em que o aumento da popularidade de Portugal pode ser visto está em sua Língua – o português. Até por volta de 1995, poucos alunos aprenderam o português em escolas goesas. Apesar dos esforços da Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa e da Fundação Oriente na promoção do português em escolas e faculdades, a maioria dos jovens goeses via o português como uma Língua do passado e que estava mais associada com os avós de alguém do que com um de seus semelhantes.

Esta atitude em relação à Língua Portuguesa mudou drasticamente ao longo dos últimos anos com cursos universitários e particulares de Língua Portuguesa a surgir como cogumelos por toda a Goa. Apesar do pobre estado económico de Portugal, a juventude de Goa hoje espera que o aprendizado do português venha aumentar suas perspectivas de carreira, notadamente com as economias emergentes lusófonas do Brasil, de Angola e de Moçambique. O Brasil, um dos países do BRIC e uma das economias de mais rápido crescimento no mundo, já está de repente à procura de funcionários de talento que falam português e inglês – uma lacuna que Goa está feliz para preencher.

A Igreja de São Francisco Xavier: a rica influência histórica e a herança cultural da civilização indo-portuguesa de Goa.
 

O turismo parece ser outra área em que a história colonial de Goa está a ver um renascimento.

As brochuras turísticas estão cheias de “velhas casas coloniais” a proporcionar uma experiência do Velho Mundo para os turistas, que procuram mais do que o sol de costume e a areia das praias de Goa de renome mundial.

Uma rua estreita com casas indo-portuguesas em Fontainhas, Goa: o património cultural e a história colonial são partes da “identidade” de Goa.

O “Bairro Latino” de Fontainhas – o lar da minha casa de hospedagem do património de Mitaroy – também está a experimentar uma renovação de hábitos. À medida que mais turistas aprendem sobre a rica herança cultural e colonial de Goa, eles parecem ansiosos por experimentá-la em primeira mão. Ao contrário das viagens regulares de autocarro a durar metade de um dia pela Velha Goa e pela Igreja de São Francisco Xavier, que mais se assemelham a transporte de gado em vez de provedor turístico, muitos turistas querem agora passar alguns dias simplesmente a andar ao redor das vielas pitorescas de Fontainhas e a absorver a atmosfera latina, em vez de competir com as multidões de turistas na Velha Goa ou nas praias de Anjuna a Baga.

Embora ainda haja muito a ser feito na área da Comunicação do Turismo de Património – o tema da minha tese de doutoramento em Salzburgo, Áustria –, reconhecer a importância da história colonial e do património de Goa é o primeiro e o mais importante passo nessa direção.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

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NAYAK, Mihir. Goa’s colonial history rediscovered.
Extraído do blogue The Mitaroy (Goa, Índia).
Publicado em: 02 nov. 2012.

4 Respostas to “A redescoberta da história indo-portuguesa de Goa”

  1. Agostinho Ferrnandes, médico-cardiologista e escritor residente em Portugal, nas Caldas da Rainha, no seúltimo livro, o romance Alucinações, em portugues, descreve o paraiso cristão como uma bela praia de Goa, de finas areias brancas e os esbeltos coqueiros agitando as suas longas palmas em imensos adeus.

  2. Thank you for reposting my blog article ! Muito Obrigado !

  3. O escritor Agostinho Fernandes, natural de Goa e residente em Portugal, nas Caldas da Rainha vai lançar o seu último romance na Casa de Goa, no dis 29 de Novembro, ás 19 horas, com apresentação do Prof. Doutor Narana Coissoró. Será tambem um belo momento de confraternização entre os amigos de Agostinho Fernandes.

  4. Depois de Alucinações -o último romance de Agostinho Fernandes lançado em Dezembro de2012, vai sair brevemente mais um romance do mesmo autor intitulado: “Crónica dum outro eu”, um romance violento que por isso mesmo levará no canto superior direito da capa um círculo vermelho indicando que a sua leitura não é aconselhável a menores.
    Agostinho Fernandes

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