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Imprensa de Macau pede tratamento igual aos média em português e em chinês

In Defesa da Língua Portuguesa, Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 17 de Novembro de 2012 by ronsoar Tagged: , , , ,

Do jornal Macau Daily Times (Macau, China)
15 de novembro de 2012

A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) reclama de diferença de tratamento das autoridades aos jornais e aos média quanto à informação oficial em língua chinesa e em Língua Portuguesa.

A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) insta o governo [da Região Administrativa Especial, na China] a cumprir a sua obrigação no fornecimento de informações igualmente a ambos os meios de comunicação em chinês e em português. Portanto, a organização entregou ontem [dia 14 de novembro] uma petição à autoridade. “É um pedido para que o governo de Macau respeite a Constituição [a Lei Básica de Macau], dando as mesmas informações às pessoas que leem a notícia em português como a quem a lê em chinês”, disse aos jornalistas o presidente da AIPIM, Paulo Azevedo.

Segundo o sr. Azevedo, a petição é motivada pelo facto de que “durante os últimos anos temos visto que os diferentes departamentos governamentais continuam a não usar a Língua Portuguesa no mesmo nível que a língua chinesa. Isso significa que eles continuarão a realizar conferências de imprensa, apresentações e defesas públicas de ações judiciais somente em chinês. Eles prometem fornecer a tradução para o português no mesmo dia, mas isso normalmente não acontece.”

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O último caso problemático mencionado na petição, que constituiu a “gota d’água”, foi a conferência de imprensa organizada segunda-feira passada pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) sobre o projeto de turismo na Praça do Lago Sai Van: “A sessão durou uma hora e não tinha nenhuma informação em português. Os nomes dos participantes foram também escritos apenas em chinês. O IACM prometeu fornecer uma tradução, porém, isto não aconteceu a tempo.” De acordo com a associação, este episódio não constitui uma exceção, mas é apenas um dos muitos exemplos.

“Essencialmente são as queixas de nossos colegas que nos obrigam a comentar sobre isso”, explicou o sr. Azevedo. A associação lembra o chefe do Executivo de sua promessa de “tratar igualmente as duas línguas”, assinalando que este requisito é “registado na Lei Básica. Não é apenas uma responsabilidade do governo de Macau, mas também do governo central [de Pequim], uma vez que teve a última palavra na emissão da Lei Básica.”

Para o presidente da AIPIM, Paulo Azevedo, “tratar igualmente as duas línguas” é requisito da Lei Básica de Macau.

O presidente da AIPIM acredita que “uma parte dos investimentos que estão sendo usados para a infraestrutura pelo governo deve ser gasta em infraestrutura humana.” Para ele, é “absolutamente inaceitável “que um governo que distribui milhares de milhões de patacas para a população não use parte de suas reservas fátuas para cumprir uma responsabilidade constitucional.” Primeiro de tudo, “as traduções não deviam vir mais tarde: deviam estar prontas ao mesmo tempo que a versão chinesa e, certamente, não dois dias ou uma semana mais tarde”. Caso contrário, “os jornalistas de Língua Portuguesa terão problemas em completar seu trabalho.” E sugere: “Se há uma necessidade de mais tradutores e intérpretes, treine-os. Dinheiro não é o problema.”

O sr. Azevedo deixou claro que “os jornalistas portugueses não precisam dominar a língua chinesa, porque, até 2049, o português é também uma língua oficial.” Como a situação para os jornalistas em português vai ficar depois de 2049, no entanto, não lhe traz nenhuma preocupação. “Não acho que vou estar aqui”, afirmou.

Um exemplo mencionado por um jornalista do não acesso de informações inclui as decisões judiciais, que são “somente em chinês”. Em alguns casos, a associação considera que “não é necessário fornecer informações em ambas as línguas”, como em “assuntos da sociedade civil”. O governo, no entanto, “tem a obrigação de fazê-lo.”

Depois de um documento lançado anteriormente, esta é a primeira petição oficial sobre o assunto emitida pela associação. “Não temos dúvidas de que o governo vai tentar o melhor de si. Mas queremos que isso aconteça tão breve quanto possível”, concluiu o presidente da AIPIM.

(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

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Press Association demands equal treatment for Portuguese and Chinese media.
Extraído do jornal Macau Daily Times (Macau, China).
Publicado em: 15 nov. 2012.

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