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“Língua Portuguesa pode perder-se na era digital”, alerta cientista da Universidade de Lisboa

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 16 de Novembro de 2012 by ronsoar Tagged: , , , , , , , ,

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Ventos da Lusofonia reproduz matéria publicada no sítio da revista eletrónica Ciência Hoje, de Portugal, no dia 9 de novembro, sobre a necessidade da Língua Portuguesa em preparar instrumentos para que seja adotada na comunicação científica e tecnológica.

A Língua Portuguesa deve, no futuro próximo, dispor de meios para que se mostre útil e capacitada como Língua de trabalho para os mais variados campos do conhecimento humano. Principalmente os campos ligados às novas tecnologias, à informática e a pesquisa científica.

“Para uma língua prosperar na era digital que se avizinha, é necessário que esteja devidamente equipada do ponto de vista tecnológico, de forma a poder ser usada para se aceder a todas as pessoas, serviços e bens que irão ficando disponíveis apenas na e através da Sociedade da Informação”, assim declara António Branco, professor doutor do Departamento de Informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

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–– Língua Portuguesa pode perder-se na era digital ––

Susana Lage
da revista eletrónica Ciência Hoje (Portugal)
9 de novembro de 2012

::: “São necessárias medidas imediatas para assegurar a sua posição internacional de comunicação”, alerta António Branco :::

António Branco: "O desenvolvimento da Tecnologia da Linguagem para a Língua Portuguesa apresenta um nível muito baixo, ou mesmo nulo".

António Branco: “O desenvolvimento da Tecnologia da Linguagem para a Língua Portuguesa apresenta um nível muito baixo, ou mesmo nulo”.

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Muitas línguas europeias enfrentam um futuro incerto em termos da sua sobrevivência na Sociedade da Informação, adverte um recente estudo realizado por investigadores europeus em Tecnologia da Linguagem.

A investigação, elaborada por mais de 200 especialistas e documentada numa coleção de Livros Brancos –(1)–, avaliou o nível de desenvolvimento da Tecnologia da Linguagem para 30 das cerca de 80 línguas europeias existentes e concluiu que em 21 delas este é, na melhor das hipóteses, “nulo” ou “fraco”.

No caso da Língua Portuguesa, apesar de ser a quinta mais falada no mundo, com cerca de 220 milhões de falantes em quatro continentes, o que o Livro Branco indica é que, “dependendo das diferentes vertentes em análise, o desenvolvimento da Tecnologia da Linguagem para a Língua Portuguesa apresenta um nível muito baixo, ou mesmo nulo, na generalidade dessas vertentes”, afirma António Branco ao Ciência Hoje.

Segundo o investigador da Universidade de Lisboa envolvido neste estudo, isto revela que “em termos de Tecnologia da Linguagem e de preparação para a era digital, a Língua Portuguesa se encontra próximo de outras línguas faladas por comunidades bem mais minoritárias e exposta a riscos similares quanto à sua sobrevivência na era digital”.

Em face destes resultados, no Livro Branco para o português é assinalado que “são necessárias medidas imediatas para que se possam obter progressos importantes para o português assegurar a sua posição como Língua internacional de comunicação”, refere. “Uma dessas medidas é a adesão de Portugal à recém criada Infraestrutura Europeia de Investigação CLARIN –(2)–, dedicada à ciência e à tecnologia das linguagens naturais”, ilustra.

O Livro Branco para a Língua Portuguesa vai ser lançado no próximo dia 16, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Trata-se de uma obra dirigida a um público o mais vasto possível, não especializado nestas matérias, incluindo comunidades linguísticas, jornalistas, políticos ou docentes, entre muitos outros.

“As consequências desejáveis são as de que as suas conclusões ajudem a desenhar as melhores políticas da Língua para o português e as melhores políticas de apoio à ciência e Tecnologia da Linguagem aplicada ao português, em vista do superior interesse da Língua Portuguesa”, diz António Branco.

Uma vez identificadas as principais lacunas na investigação sobre a Tecnologia da Linguagem aplicada ao português, os próximos passos na investigação serão assim o “desenvolvimento de recursos linguísticos e ferramentas de processamento específicos, por toda a comunidade que trabalha sobre a Língua Portuguesa, que possibilitem caminhar no sentido de eliminar estas lacunas, desde que este trabalho seja apoiado por políticas de desenvolvimento científico e tecnológico adequadamente planeadas”, avança o professor.

–– Tecnologia da Linguagem ––
As revoluções tecnológicas que no passado envolveram a linguagem natural (o advento da escrita, a imprensa mecânica, etc.) levaram a que muitas línguas perdessem a sua relevância e algumas acabassem por se extinguir à medida que os seus falantes deixavam de poder beneficiar desses avanços tecnológicos. “Para uma língua prosperar na era digital que se avizinha, é necessário que esteja devidamente equipada do ponto de vista tecnológico, de forma a poder ser usada para se aceder a todas as pessoas, serviços e bens que irão ficando disponíveis apenas na e através da Sociedade da Informação”, afirma António Branco.

De acordo com o investigador português, “a Tecnologia da Linguagem é o novo fator disruptivo que está a desencadear uma nova revolução tecnológica, sem precedentes, para a linguagem natural. Apenas a Tecnologia da Linguagem desenvolvida e adaptada especificamente para uma dada língua permitirá que esta sobreviva na era digital e que os seus falantes e a sua cultura tenham assegurada uma cidadania plena na Sociedade da Informação”.  :::

O projeto CLARIN – Infraestrutura Comum de Tecnologias e Recursos Linguísticos – foi lançado em setembro para fornecer suporte à comunicação da ciência e das tecnologias nas línguas da União Europeia. 

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–– Notas: ––
–(1)–  O Livro Branco é um documento oficial redigido pela Comissão Europeia que contém um conjunto de propostas de ação no âmbito europeu para um assunto determinado a serem adotadas pelos governos dos países da União Europeia.

Os Livros Brancos são elaborados por comités de consulta formados por representantes da Comissão Europeia, de grupos das áreas relacionadas e dos governos nacionais. Neste caso, será lançado o Livro Branco A Língua Portuguesa na Era Digital, que faz parte de uma coleção a mostrar o estudo sobre 30 línguas europeias quanto ao uso das Tecnologias da Linguagem.

–(2)–  A plataforma de pesquisa da linguagem científica pan-europeia CLARIN (Infraestrutura Comum de Tecnologias e Recursos Linguísticos) foi criada em setembro deste ano e tem sua sede em Utrecht, nos Países Baixos.

Ela será um repositório de recursos digitais de pesquisa da linguagem para as ciências, a ser usada por investigadores e acadêmicos para a melhor comunicação das áreas do conhecimento, além da divulgação de termos científicos padronizados para as mais diversas línguas europeias.

A plataforma linguística CLARIN foi criada por pesquisadores de oito países da União Europeia: Alemanha, Áustria, Bulgária, Dinamarca, Estónia, Países Baixos, Polónia e República Checa.

• CLARIN – Infraestrutura Comum de Tecnologias e Recursos Linguísticos:
<http://www.clarin.eu/external/>

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LAGE, Susana. Língua Portuguesa pode perder-se na era digital.
Extraído do sítio da revista Ciência Hoje (Portugal).
Publicado em: 09 nov. 2012.

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Leia também:
Preparando o Português para ser a “Língua da Ciência” – 23 de setembro de 2012

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