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Macau: aprender português ajuda a encontrar emprego

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, Lusofonia e Diversidade on 15 de Outubro de 2012 by ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa e do Jornal Tribuna de Macau
6 de outubro de 2012

Para os estudantes da Casa de Portugal em Macau, o português é uma Língua de oportunidades profissionais e a sua importância está cada vez mais óbvia para o desenvolvimento de Macau.
 

Macau, China – O português é difícil, mas ao mesmo tempo gerador de emprego, consideram alunos de língua materna não portuguesa que apostam no bilinguismo como via profissional, hoje distinguidos com prémios da Casa de Portugal em Macau (CPM).

Celina Lau, Lao Pui Pui, e Wong Iek não se conheciam até à cerimónia da entrega de prémios, mas em comum têm anos de estudo da “Língua de Camões”.

A palavra “emprego” surge repetida nas declarações aos jornalistas, que os ouviram em separado.

“Tenho-me dedicado muito ao estudo do português e também estou a trabalhar como tradutor e, por isso, este prémio é muito gratificante”, disse Wong Iek.

De óculos e lenço preto, o rosto do estudante de tradução do Instituto Politécnico de Macau esconde quase 15 anos de estudo da “Língua de Camões” – oito deles vividos em Portugal (três em Lisboa e cinco no Porto) onde se licenciou em pintura.

“No início, foi difícil”, recordou Wong Iek, ao lembrar que começou “a aprender em 1999, no ano em que Macau passou para a China”.

O facto de o português ser língua oficial de Macau, a par do chinês, fizeram-no ainda mais determinado e, aos 33 anos, segue uma profissão pouco óbvia para quem se dedicava às belas artes no Porto, sendo hoje tradutor no Instituto de Assuntos Cívicos e Municipais de Macau.

“O português continua a ser uma Língua muito forte no mundo e a sua importância está cada vez mais óbvia para o desenvolvimento de Macau”, afirmou.

Celina Lau fez um caminho mais a direito na “Língua de Camões”. Aos 21 anos, termina a licenciatura em Estudos Portugueses na Universidade de Macau e já dá aulas de português.

“Estou a trabalhar como assistente numa escola luso-chinesa, e acho que ser professor bilingue é uma vantagem”, apontou.

Com menos vocabulário e mais timidez na bagagem, Lao Pui Pui, de 18 anos, não deixa de ser menos determinada. Não só adotou o nome português de “Marcela” como mudou para a Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional para seguir o curso de Tradução e Interpretação na Área Luso-Chinesa.

“Gosto muito de Língua Portuguesa e queria ser tradutora”, disse a aluna do primeiro ano do curso, equivalente ao 10º. ano.

A associação Casa de Portugal em Macau premeia, anualmente, os melhores alunos de língua materna e não materna portuguesa, nas escolas secundárias e ensino superior da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).

Referentes ao ano letivo de 2011-2012 foram atribuídos diplomas e prémios pecuniários a seis alunos de Macau.

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:::  Presidente da Casa de Portugal de Macau desafia direções das escolas locais  :::
–– Ensino do português exige nova mentalidade ––

Amélia António: “A aprendizagem
de uma segunda língua, e nomeadamente da Língua Portuguesa, é uma mais-valia
para os alunos”.

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A presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM), Amélia António, defendeu a reciclagem dos professores e a mudança de mentalidades nas direções das escolas para melhorar o ensino da Língua Portuguesa na RAEM.

Amélia António, que falou aos jornalistas à margem da cerimónia da entrega dos “Prémios Casa de Portugal em Macau” aos melhores alunos de português de diferentes escolas e instituições do ensino superior na RAEM, colocou a tónica na mudança de atitude no interior das escolas.

“O Governo [de Macau] tem tomado algumas medidas e põe algumas em prática, mas eu acho que a medida principal é a reciclagem dos professores”, disse.

Apesar de reconhecer “que há um esforço efetivo de melhorar o ensino” de português em Macau, Amélia António observou a necessidade de incutir nas direções das escolas que “a aprendizagem de uma segunda língua, e nomeadamente da Língua Portuguesa, é uma mais-valia para os alunos”.

“Enquanto essas pessoas tiverem uma mentalidade muito agarrada ao passado, achando que o importante é pôr os alunos a escrever bem chinês e a falar bem chinês, e que isso chega, os professores de português se calhar não sentem grande incentivo nem grande apoio”, acrescentou.

A presidente da CPM observou ainda que só com a abertura de “mentalidades e de espírito” é que as medidas que o Governo anuncia e pretende implementar poderão ter maiores resultados práticos.

Sobre os “Prémios Casa de Portugal em Macau” atribuídos aos melhores alunos de português, Amélia António disse que estes são “simbólicos” e visam reconhecer o esforço e estimular os alunos.

“Não é o prémio que faz com que as pessoas apareçam a falar mais português, mas acho que é importante que se mostre o que há. Penso que é sobretudo uma questão de afirmação, e acima de tudo moral”, declarou.  :::

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Ensino do português exige nova mentalidade.
Extraído do Jornal Tribuna de Macau – Macau, China.
Publicado em: 08 out. 2012.

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