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Língua Portuguesa vale 17% da economia de Portugal

In Defesa da Língua Portuguesa, O Mundo de Língua Portuguesa on 6 de Outubro de 2012 by ronsoar Tagged: , , ,

Nuno Sá Lourenço
Do jornal Público (Lisboa, Portugal)
1 de outubro de 2012

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:::  Estudo avalia impacto da Língua nos fluxos migratórios, no investimento direto estrangeiro e no comércio externo  :::

Os dados estão reunidos no livro Potencial Económico da Língua Portuguesa, coordenado por Luís Reto, reitor do ISCTE.

A Língua Portuguesa vale 17 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) [de Portugal]. Esta foi uma das conclusões a chegaram os investigadores que durante três anos estudaram o valor económico da Língua Portuguesa, a pedido do Camões – Instituto da Cooperação e Língua. Os resultados são apresentados no livro Potencial Económico da Língua Portuguesa.

Aproveitando a metodologia aplicada no estudo levado a cabo em 2003 em Espanha, uma equipa coordenada pelo atual reitor do ISCTE [Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, de Lisboa], Luís Reto, chegou a esta e outras conclusões sobre o impacto da Língua na economia portuguesa.

O estudo permite avaliar, nas palavras de Reto, “o grau de desenvolvimento da economia”. Para tal, foi necessário identificar as atividades ou produtos nos quais a Língua é um componente essencial, tais como comunicação social, telecomunicações, traduções, processamento de dados. E ainda as atividades que fornecem as matérias-primas ao grupo inicial de atividades e as que têm como função distribuir ou comercializar essas ações. Para Rego, os dados compilados ajudam a perceber “o que podia estar a ser mais desenvolvido e não está a ser”. Por exemplo, as opções na orientação da política da Língua, “que alianças estabelecer e que territórios privilegiar”.

Para o reitor do ISCTE, há uma conclusão gritante. “Pensar o ensino da Língua como uma indústria”, nem que seja pelas oportunidades de emprego possíveis, dando como exemplo a “reconversão de profissionais do ensino para professores de Português de Segunda Língua”.

O estudo permitiu também compilar um conjunto de dados. O levantamento realizado contabilizou cerca de 250 milhões de “falantes do português”, representando por isso 3,7 por cento da população mundial e “aproximadamente 4 por cento da riqueza total”.

Mas o estudo serviu também para levantar o véu sobre o impacto da Língua nas trocas comerciais, nos fluxos migratórios e no investimento direto em Portugal. Clarifica que a proximidade linguística tem um peso importante no investimento português no estrangeiro e, de forma mais mitigada, no investimento direto estrangeiro em Portugal.

Para Luís Reto, reitor do ISCTE, deve-se “pensar o ensino da Língua Portuguesa como uma indústria”.

No primeiro caso, esse valor representa 17 por cento do total. Esse investimento vem “principalmente do Brasil e mais recentemente, Angola”. O que é relevante se se tiver em conta que a “dimensão relativa destas economias”, que valem 3% do PIB mundial. Em relação ao investimento direto estrangeiro, o estudo revela que, embora sendo ainda reduzido, o investimento em Portugal feito por países de língua oficial portuguesa está em crescimento. Em 2010, significava quase 6 por cento do total.

Ao nível do comércio externo, a Língua já não representa uma variável tão forte. O estudo conclui mesmo que o impacto é “quase nulo”. Esta é uma das áreas que Luís Reto identifica como um dos “gaps [brechas, lacunas] onde se pode atuar”: “Devíamos ter mais comércio externo entre os países da Lusofonia”.

Até porque, como estudos internacionais semelhantes já sugeriram, as diferenças linguísticas são barreiras ao comércio, equivalentes a tarifas que podem ir dos 15 aos 22%. Para o reitor do ISCTE, os dados recolhidos no estudo poderiam ser utilizados pelo Governo português para “tentar vender este argumentário a esses países”.

Mas é nas migrações que se detecta a Língua como factor realmente determinante. “Mais de 50 por cento dos imigrantes que residem em Portugal são oriundos de países de língua oficial portugesa”, concluem os investigadores. E para os portugueses que emigram, a Língua também é importante, tendo 16 por cento dos portugueses que vivem no exterior escolhido países de língua oficial portuguesa.

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Língua vale 17 por cento da economia portuguesa.
Extraído do jornal Público (Lisboa, Portugal).
Publicado em: 01 out. 2012.

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