Articles

CPLP ameaça suspender a Guiné-Bissau

In O Mundo de Língua Portuguesa on 25 de Setembro de 2012 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Rádio ONU e da Agência AngolaPress

.

Para António Gumende, a CPLP pode decidir a suspensão da Guiné-Bissau.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pode decidir a suspensão da Guiné-Bissau, afirmou o embaixador de Moçambique junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Um governo de transição assumiu a administração guineense, após uma junta militar ter levado a cabo um golpe de Estado a 12 de abril.

António Gumende disse, em entrevista à Rádio ONU, em Nova York, que a medida pode ser considerada na sequência do golpe de Estado de 12 de abril.

As declarações foram feitas no âmbito da presidência moçambicana da CPLP, assumida em julho. Moçambique também preside à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

.
“Está-se a trabalhar no sentido de se estabelecerem as medidas sancionatórias, mas prevejo que medidas como a suspensão poderão ser acomodadas, como acontece noutras organizações”, disse. “A SADC é um exemplo disso. Acabamos de assumir a presidência da SADC, mas, no caso de Madagáscar, ainda hoje continua a ser um membro suspenso, porque o governo assumiu o poder pela via inconstitucional. E na defesa desse princípio, a SADC tem sido rigorosa na aplicação desta sanção e a CPLP poderá emular também este procedimento.”

–– Guiné-Bissau em pauta no Conselho de Segurança da ONU ––
A situação da Guiné-Bissau foi discutida no mesmo dia no Conselho de Segurança da ONU. De acordo com Gumende, a Cimeira de Maputo, ocorrida em julho, emendou os estatutos para sancionar governos que assumam o poder pela via não constitucional.

–– Posições na Assembleia-Geral da ONU ––
O início da 67ª. Assembleia-Geral da ONU, a partir desta terça-feira, é tido por Gumende como momento de concertação de posições com as várias partes com interesses na Guiné-Bissau.

A CPLP defende que o diálogo vai continuar “no sentido de satisfazer os desígnios da Guiné-Bissau e na busca de uma plataforma para trazer todas as partes” no debate de formas para ajudar o país a ultrapassar a crise.

–– Para Brasil, Guiné-Bissau “precisa mudar” para receber assistência ––
O Brasil defende que haja uma plataforma comum para que a Guiné-Bissau volte a receber assistência internacional.

Maria Luiza Ribeiro Viotti: “É preciso que haja mudanças na
Guiné-Bissau” e que sejam “mudanças que vão na direção correta”.

 

Em entrevista também à Rádio ONU, a embaixadora do Brasil junto das Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti – que também preside a estratégia da Comissão de Consolidação da Paz da organização para a Guiné-Bissau –, falou sobre a necessidade de mudanças.

“Estamos procurando reunir os países que são os principais parceiros de Guiné-Bissau para estabelecer uma plataforma comum que permita a retomada da assistência, mas é preciso que haja mudanças no próprio país. Em primeiro lugar, foi instalado um regime de transição que não é reconhecido internacionalmente e que não tem condições mínimas de responder às necessidades políticas internas. Então, é preciso que haja mudanças na Guiné-Bissau e, também, uma plataforma comum entre os parceiros do país para apoiar mudanças que vão na direção correta”, frisou a embaixadora brasileira.

Segundo analistas, a atual liderança da Guiné-Bissau divide opiniões da comunidade internacional. Se, por um lado, a CPLP defende a reinstalação do governo deposto, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) apoia as autoridades de transição.

–– Guiné-Bissau continua na CPLP, diz governo de facto ––

O governo de facto da Guiné-Bissau não crê
na aplicação de sanções vindas da CPLP.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de transição guineense, Faustino Imbali, garantiu, no último dia 20, que o país vai continuar na CPLP, lembrando que é membro fundador da entidade lusófona.

Faustino Imbali, que falava em conferência de imprensa em Bissau, respondia assim às declarações do embaixador de Moçambique junto das Nações Unidas, António Gumende.

Questionado pelos jornalistas, Imbali disse que, caso a CPLP tome a decisão de suspender a Guiné-Bissau, o governo de facto vai tirar como conclusão que “a CPLP não se interessa pelo povo da Guiné-Bissau, não se interessa pelos crimes de sangue que aconteceram nos últimos anos na Guiné-Bissau, nem se interessa pelos crimes económicos que aconteceram na Guiné-Bissau”. E acrescentou que “a CPLP só se interessa por uma só pessoa e essa pessoa chama-se Carlos Gomes Júnior”, o primeiro-ministro deposto.

O chefe da diplomacia guineense frisou que a CPLP “nunca meteu os pés” na Guiné-Bissau desde o golpe de abril e voltou a pedir a presença da organização.

“Nós assegurámos o país depois do golpe de Estado. Não vejo porque diriam: ‘Não vou falar com aquela gente que são golpistas’. Não é uma posição responsável. Gostaríamos que viessem, que falássemos, talvez, se querem o interesse do povo, encontrássemos uma melhor solução para esse povo. Agora, se estão interessados em pessoas e não num povo, a decisão de suspender a Guiné-Bissau compreende-se neste quadro, e só neste quadro”, afirmou Imbali.

O ministro salientou que da parte da Guiné-Bissau não há dificuldades de relacionamento com a CPLP e que o governo de facto está aberto ao diálogo. Disse ainda que telefonou ao até então secretário-executivo da organização, o também guineense Domingos Simões Pereira, e que este lhe disse que iria a Bissau para falarem após a Cimeira de Maputo, o que não aconteceu.

O governo de transição, assegurou, também está a “fazer o máximo” para incentivar o diálogo entre a CPLP e a CEDEAO, e disse que as duas entidades vão se reunir em Nova York, à margem da Assembleia-Geral da ONU, que está a decorrer a partir de terça-feira, 24 de setembro.

–– Murade Murargy na Assembleia-Geral da ONU ––
O secretário-executivo da CPLP, Murade Isaac Murargy, está em Nova York onde vai participar, na qualidade de observador, na sexagésima sétima sessão plenária da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, cujo debate geral, por tradição, será aberto pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

O discurso do chefe de Estado do Brasil abre sempre a Assembleia-Geral da ONU pelo facto de o país sul-americano ter sido o primeiro a aderir à ideia da criação de um órgão para a paz no mundo após a Segunda Guerra Mundial. E foi o embaixador brasileiro Oswaldo Aranha quem declarou aberta a primeira Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 1947.

À margem da 67º. Assembleia Geral da ONU, os ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores dos Estados-membros da CPLP encontraram-se, na segunda-feira, dia 24, em reunião extraordinária sobre a situação na Guiné-Bissau como ponto de agenda. O embaixador Issac Murargy vai, ainda, participar no encontro dos Amigos da Aliança da Civilizações, no dia 28, e encetar diversos contactos com a estrutura e organismos do sistema das Nações Unidas.

Ouça a reportagem com o embaixador de Moçambique junto às Nações Unidas, António Gumende – de Eleutério Guevane, da Rádio ONU, das Nações Unidas.

• Ouça a reportagem com a embaixadora do Brasil junto às Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti – de Eleutério Guevane, da Rádio ONU, das Nações Unidas.

.
–– Extraído da Rádio ONU e da Agência AngolaPress ––

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: