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Acordo Ortográfico é “ameaça” à Língua Portuguesa, diz PEN Internacional

In Língua Portuguesa Internacional, Lusofonia e Diversidade on 20 de Setembro de 2012 by ronsoar Tagged: , , , ,

A associação internacional de escritores – o PEN Internacional –, fundada em Londres em 1921, tem o objetivo de promover a liberdade de expressão, difundir o papel da literatura na cultura mundial e incentivar a amizade e a cooperação intelectual entre seus membros ao redor do mundo. O acrónimo “PEN” fazia referência a “Poetas, Escritores e Novelistas”, embora a associação reúna escritores dos mais diversos géneros, jornalistas e historiadores.

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O PEN Internacional é a mais antiga entidade do mundo criada em defesa da promoção dos direitos humanos e, também, a mais antiga associação literária de caráter mundial.

Porém, em seu 78º. Congresso anual, realizado este ano em Gyeongju, na Coreia do Sul, o PEN Internacional aprovou resolução em que expressa preocupações quanto ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, criado para uniformizar as regras de escrita da Língua ao redor do mundo.

O Acordo, estabelecido para a promoção internacional da Língua e para facilitar o ensino da Língua escrita no mundo, simplificando suas regras, é, no entanto, visto pelo PEN Internacional como “um problema complexo” e como “ameaça à Língua Portuguesa”. Abaixo, a reportagem da rede de televisão TVI (Portugal) sobre essa resolução contrária ao Acordo Ortográfico de unidade da escrita da Língua Portuguesa.

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–– Acordo ortográfico é «ameaça» à língua portuguesa ––

:::  Escritores de todo o mundo aprovaram uma resolução do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos que manifesta uma evidente preocupação  :::

Da TVI (Portugal)
17 de setembro de 2012

Em congresso realizado na Coreia do Sul, o PEN Internacional aprovou resolução
que se manifesta contra o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

 

O PEN Internacional, organização não governamental de escritores com 144 centros em mais de 100 países, manifestou “evidente preocupação pela ameaça à Língua Portuguesa representada pelo Acordo Ortográfico de 1990”, informou o PEN Clube Português.

Em comunicado, o PEN Clube Português afirma que, no 78º. Congresso do PEN Internacional, que terminou domingo [16 de setembro] na Coreia do Sul, “foi aprovada por unanimidade uma resolução do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos que manifesta uma evidente preocupação pela ameaça à Língua Portuguesa representada pelo Acordo Ortográfico de 1990 [AO/90]”.

No congresso, que reuniu 87 centros de todo o mundo, a maioria dos escritores presentes manifestou “incredulidade” e interrogou-se “como se teria chegado a tal situação”, afirma o PEN Português.

Segundo o comunicado a que a Agência Lusa teve acesso, na apresentação do tema na Coreia do Sul, a presidente do PEN Clube Português, Teresa Salema, manifestou a “preocupação pela situação com que um número crescente de escritores e tradutores se vê confrontado”, nomeadamente pelo facto de muitos não se identificarem com o AO/90 ou “de deixarem que os seus textos sejam convertidos para uma ortografia que lhes é alheia, ou de não verem as suas obras publicadas”.

Uma preocupação que “foi por todos sentida como um problema complexo”, atesta o PEN Clube Português.

“Também os tradutores que em princípio não pretendam seguir o Acordo Ortográfico de 1990 se veem submetidos às imposições administrativas e comerciais”, refere o comunicado, citando a resolução aprovada pelo PEN Internacional.

A associação teme que o Acordo de 1990 seja contra a criatividade de expressão escrita
na Língua Portuguesa.

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Segundo a resolução aprovada, “tentar centrar uma língua em prioridades administrativas e/ou comerciais é enfraquecê-la ao atacar a sua complexidade e criatividade inata, a fim de promover métodos burocráticos de natureza pública e privada”.

Na resolução aprovada, afirma-se que, “no que toca ao inglês, houve tentativas equivalentes para uma aproximação universal no tempo do Império Britânico. Contudo, a força das regiões anglófonas (situação similar à do português) levou a que tais regras tivessem sido quebradas tanto internacional como naturalmente”.

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“Duvidamos muitíssimo que essa proposta de estandardização produza outros efeitos além de burocratizar os textos usados nas escolas, separando assim os alunos da real criatividade da Língua Portuguesa, nos planos regional e internacional”, lê-se na mesma resolução.

Segundo o comunicado do PEN Clube Português, no debate da resolução houve intervenções de vários centros, nomeadamente por parte do Centro PEN galego que manifestou “a sua afinidade na diferença linguística [¿] reiterando o seu apoio incondicional à Declaração”.

“Também o Centro PEN alemão repudiou firmemente a ingerência de autoridades governamentais em assuntos linguísticos de reconhecida complexidade”, lê-se no mesmo comunicado, segundo o qual, “o presidente do Comité de Escritores para a Paz sublinhou a sua preocupação pela divisão e possível aumento de conflitualidade que tais medidas estão a causar entre os cidadãos portugueses”.

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Acordo Ortográfico é «ameaça» à Língua Portuguesa.
Extraído do sítio da TVI 24 Horas – seção Sociedade (Portugal).
Publicado em: 17 set. 2012.

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