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Brasil: o Acordo Ortográfico será obrigatório – Arnaldo Niskier

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional on 30 de Agosto de 2012 by ronsoar Tagged: , , , , ,

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Arnaldo Niskier é ex-presidente da Academia Brasileira de Letras.
 

Ventos da Lusofonia transcreve o artigo assinado pelo jornalista e escritor Arnaldo Niskier, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras entre 1998 e 1999. Niskier também é acadêmico correspondente no Brasil da Academia de Ciências de Lisboa.

O assunto é a entrada em vigor no Brasil da adoção obrigatória do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, a partir do dia 1º. de janeiro de 2013.

O Acordo Ortográfico foi assinado por representantes dos governos dos então sete países de língua oficial portuguesa reunidos em Lisboa em 16 de dezembro de 1990. O Congresso Nacional – o Parlamento brasileiro – promulgou o documento do Acordo Ortográfico em 18 de abril de 1995. Em outubro de 2004, o Brasil ratificou o Segundo Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico, o que permitiu a entrada em vigor da unificação da ortografia da Língua a partir de 2006.

O então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto de entrada em vigor do Acordo, na sede da Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro, em 28 de setembro de 2008 – dia do centenário de falecimento do escritor Machado de Assis. As mudanças na escrita da Língua Portuguesa têm implantação gradual no Brasil de janeiro de 2009 até dezembro de 2012.

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–– O Acordo será obrigatório ––

Arnaldo Niskier
Do Jornal do Brasil (Rio de Janeiro)
7 de junho de 2012


 

A proximidade do dia 1º. de janeiro de 2013, quando se tornará obrigatório, em nosso país, o respeito aos termos do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa, torna essa discussão ainda mais acesa. O Brasil, na verdade, recebeu muito bem as poucas modificações propostas, entre as quais se incluiu o fim do trema, além de uma simplificação vernacular que já veio tarde.

Na imprensa portuguesa, vez por outra, publica-se crítica à existência do Acordo Ortográfico de Unificação da nossa língua. Alguns jornais afirmam que os filólogos brasileiros encheram o documento de “bizarrices inúteis”, enquanto outros reclamam que a Academia das Ciências de Lisboa, parceira do projeto, errou pelo excesso de “cedências” às hipotéticas pressões neocolonialistas do Brasil.

É evidente que nada disso faz sentido. Devemos ter mesmo só uma forma de expressão escrita, para que o nosso idioma passe a ser, estrategicamente, adotado como uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas. Falar é outra coisa. Cada um segue falando de acordo com a sua tradição.

Da mesma forma, não se pode defender a existência interna de uma separação linguística, dividindo o falar do rico e o do pobre. O Vocabulário Ortográfico, editado pela Academia Brasileira de Letras, tem 370 mil verbetes, o que é uma amostra da sua força e da disponibilidade das palavras para todos. Machado de Assis fez toda a sua extraordinária obra de romancista com o emprego de somente 16 mil vocábulos.

Temos uma realidade plurilinguística, considerando-se basicamente que a norma padrão (culta) deve ser respeitada nos códigos escritos, pois são esses que, mais tarde, os estudantes terão que utilizar nos seus diversos concursos. Veja-se o que aconteceu na seccional paulista da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]. Dentre os 20.237 candidatos (advogados formados – bacharéis em direito) o índice de reprovação foi de 92,8%, o que levou o presidente Luiz Flávio Borges D’Urso a afirmar que “há pessoas que chegam à prova e não sabem conjugar verbos ou colocar as palavras no plural”. Vocês já imaginaram as petições que serão escritas por essa gente?

Para debater o assunto, que envolve também o uso exagerado do terrível “internetês”, as Academias Brasileira e Paulista de Letras realizaram seminários em defesa da língua portuguesa. Na ocasião, comemorou-se o fato de que a venda de jornais cresceu significativamente, nos dois últimos anos, o que desmente a tese catastrofista de que os impressos em geral serão desbancados em curto espaço de tempo pela mídia eletrônica. Num estudo intitulado Medium Matters, da Universidade de Oregon (EUA), afirma-se que um leitor de jornal em papel retém o conteúdo mais que um leitor online [em linha na Internet]. Isso parece ter sido percebido pelo povo brasileiro, inclusive os integrantes da sua ampliada classe média.

Antes de nos entregarmos totalmente ao emprego do tablete, convém que se preparem mais adequadamente os nossos professores e especialistas. Encher as escolas, desordenadamente, de computadores de todos os tipos não será a forma de promover o que é essencial: o conhecimento mais profundo dos mistérios e da beleza do idioma de Fernando Pessoa e Manoel Bandeira.

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NISKIER, Arnaldo. O Acordo será obrigatório.
Do Jornal do Brasil – seção País, subseção Sociedade Aberta
Rio de Janeiro, Brasil.
Publicado em: 7 jun. 2012.

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