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Colóquio sobre ensino das línguas portuguesa e chinesa em Macau e Pequim

In Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 28 de Agosto de 2012 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Do jornal Ponto Final (Macau, China) e do Instituto Internacional da Língua Portuguesa

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A Universidade de Macau sediou entre os dias 13 e 26 deste mês o Colóquio sobre o Ensino das Línguas Chinesa e Portuguesa na China e nos Países de Língua Portuguesa.

O Colóquio promoveu uma abordagem temática sobre o ensino da língua chinesa e da Língua Portuguesa na base do intercâmbio educativo e linguístico com os professores chineses do interior da China e de Macau. Consistiu na troca de experiências sobre ensino da gramática, leitura, escrita e avaliação para o domínio de ambas as línguas.

Durante o evento, houve também um deslocamento a Pequim, feito entre os dias 22 e 25 de agosto, para visitas às instituições de ensino superior da capital chinesa.

Ventos da Lusofonia relata as expectativas de duas personalidades que participaram do colóquio em Macau sobre a troca de experiências para o ensino e a difusão das línguas portuguesa e chinesa no mundo. Em duas reportagens, foram ouvidos: a professora da Universidade Federal da Bahia, Edleise Mendes Oliveira Santos, presidente da SIPLE, Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira; e Chang Hexi, secretário-geral do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o Fórum de Macau.

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–– Ensino de português e chinês deve ter mais qualidade ––

Maria Caetano, do jornal Ponto Final
Macau, China
14 de agosto de 2012

Chang Hexi é secretário-geral do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o Fórum de Macau.
 

Chang Hexi, representante do fórum para as trocas entre a China e a Lusofonia, defende métodos mais práticos e mais eficácia no ensino dos idiomas. Mais de 30 professores participam em um colóquio de duas semanas sobre o tema.

É preciso melhorar a qualidade do ensino das línguas portuguesa e chinesa, e Macau deve concentrar-se em facilitar o intercâmbio pedagógico entre professores do Continente e da Lusofonia para tornar a aprendizagem dos idiomas mais prática e eficaz. A ideia foi ontem defendida pelo secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Chang Hexi, na abertura de um colóquio destinado a debater o ensino das duas línguas.

O Colóquio sobre o Ensino das Línguas Chinesa e Portuguesa na China e nos Países de Língua Portuguesa reuniu, do dia 13 até o dia 26 deste mês, mais de três dezenas de professores do Continente e da geografia lusófona que participaram em seminários e realizaram visitas de estudo. O programa, desenhado pelo Centro de Formação do Fórum de Macau em colaboração com a Universidade de Macau, contemplou várias palestras sobre linguística aplicada e didática.

Grupo de estudantes em Macau: território tem a vocação de ser o canal de contacto das culturas lusófona e chinesa.

“Através deste colóquio, todos os professores especialistas da área, da língua portuguesa e da língua chinesa, podem aproveitar esta oportunidade de trocar impressões para, futuramente – é o nosso objetivo –, elevar a qualidade do ensino”, salientou Chang Hexi.

Participaram quatro docentes de Angola, dois do Brasil, seis de Cabo Verde, seis da China Continental, quatro da Guiné-Bissau, seis de Portugal e outros quatro de Timor-Leste. As duas semanas de atividades incluíram visitas ao Instituto Politécnico de Macau, ao Instituto Português do Oriente e à Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional, bem como à Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim – a primeira a ter um departamento de Língua Portuguesa no Continente.

No interior da China há muita procura pelo português e muitas cidades têm faculdades de letras que ensinam a Língua Portuguesa. Mas ainda é preciso elevar a qualidade do ensino. Estas universidades do interior da China podem aproveitar estas oportunidades”, defendeu o secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

O responsável apontou a área em que pode haver melhorias no ensino – seja do chinês ou do português. “Podem ser introduzidos métodos mais práticos, mais simples, e que também tenham mais resultados”, defendeu numa altura em que nos países de língua portuguesa começa também a crescer o ensino do mandarim.

O centro do Fórum de Macau diz querer, enquanto dinamizador dos contactos recíprocos, apoiar nos dois sentidos. “Nos países de língua portuguesa, há muitas pessoas que querem aprender chinês. Pensamos que ainda é preciso trocar impressões, experiências para melhorar metodologias e qualidade de ensino”, disse.

Chang Hexi não comentou, porém, a ideia de afirmar o território como centro de línguas para as duas partes do mecanismo de cooperação do Fórum, que tem vindo a ser defendida por vários agentes dos sectores da política e da educação.

A vocação fundamental de Macau, indicou, é ainda servir de canal sem ser protagonista. “Através da organização deste tipo de colóquios, todos os países de língua portuguesa podem concentrar-se aqui em Macau e aproveitar esta plataforma para trocar impressões, para melhorar este ensino”, afirmou Chang. “É esse o papel que uma plataforma como Macau está a desempenhar.”

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CAETANO, Maria. Ensino de português e chinês deve ter mais qualidade.
Extraído do jornal Ponto Final – Macau, China.
Publicado em: 14 ago. 2012.

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–– China e Lusofonia: uma plataforma entre as línguas ––

Do Blogue do IILP
Instituto Internacional da Língua Portuguesa
19 de agosto de 2012

Edleise Mendes, do SIPLE (em primeiro plano): “É hora de se pensar em criar uma plataforma educacional”.
 

Macau, China, 17 ago. (Lusa) – A Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira (SIPLE) desafiou o Fórum de Macau a criar uma plataforma educacional para aproximar as línguas portuguesa e chinesa e fomentar as relações económicas, disse à Agência Lusa a presidente Edleise Mendes.

A ideia foi apresentada no início do primeiro Colóquio sobre o Ensino das Línguas Chinesa e Portuguesa na China e nos Países de Língua Portuguesa e, segundo Edleise Mendes, “foi muito bem recebida” pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau, que organiza o encontro.

O Colóquio que ocorreu na Universidade de Macau, prosseguiu em Pequim entre 22 e 25 de agosto, e terminou em Macau um dia depois.

O desafio lançado ao Fórum de Macau é sustentado nas ações que o organismo tem levado a cabo para “valorizar a expansão do português e as relações económicas e políticas entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

“Teríamos de pensar em estratégias, numa plataforma política para a difusão dessas línguas [portuguesa e chinesa]. […] É hora de o Fórum de Macau pensar em criar uma plataforma educacional. Ou seja, ao lado das estratégias políticas e económicas, por que não um Fórum Macau Educacional, a exemplo do Mercosul Educacional?”, exortou.

Para a presidente da SIPLE, “é importante avançar com ações educacionais e culturais mais amplas” e o colóquio de Macau é a oportunidade ideal “para juntar pessoas e dar ideias para um setor que está preocupado em desenvolver relações políticas e económicas”.

“Investir numa plataforma ou numa linha de atuação educacional só vai facilitar a aproximação entre as línguas e culturas chinesa e portuguesa e consequentemente um avanço desses dois grandes blocos conjuntamente”, concretizou.

O Setor Educacional do Mercosul é uma das vertentes do bloco do Mercado Comum do Sul, formado em 1991 e atualmente composto por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, em uma estratégia reforçada no ano passado com a criação do Portal Mercosul Educacional.

Um portal em linha na Internet para a Língua Portuguesa está, desde maio, em desenvolvimento pelo Instituto da Internacional de Língua Portuguesa, – por sua vez vinculado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa –, para fazer face às necessidades de formação dos professores e de materiais didáticos.

Segundo a também professora da Universidade Federal da Bahia, o projeto é justificado pela crescente procura da aprendizagem da Língua Portuguesa nas diferentes partes do mundo, e especificidades derivadas da diversificação do público.

“A aproximação da China, por exemplo, com os países de língua portuguesa vai causar uma necessidade da ampliação da oferta de cursos de português para chineses. Por isso, imaginem a grande procura que vai criar em termos de formação”, sublinhou.

A ideia é que o portal inclua uma base de dados de vocabulário e uma área com materiais para públicos específicos, desde o falante de espanhol ao aluno chinês.

Ao subscrever a ideia defendida pelo escritor José Saramago (1922-2010) de que “não há um só português, mas várias Línguas em português”, Edleise Mendes observou a importância de realizar “um projeto mais amplo da Língua Portuguesa”.

“Somos uma mesma Língua, com diferentes culturas de base. […] Se queremos fazer do português, de facto, uma Língua de força internacional, que possa fazer frente às outras línguas que estão aí contemporaneamente no mundo, temos de nos unir”, rematou.

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Uma plataforma entre as línguas.
Extraído do Blogue do IILP
Instituto Internacional da Língua Portuguesa.
Publicado em: 19 ago. 2012.

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