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Desamor pela Língua Portuguesa – Maria Regina Rocha

In Defesa da Língua Portuguesa on 26 de Julho de 2012 by ronsoar Tagged: ,

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:::  Este artigo é de autoria da professora Maria Regina Rocha, consultora do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e do programa de televisão Cuidado com a Língua!, da RTP.

O texto permanece atual, sobre a questão do excesso de palavras estrangeiras na Língua Portuguesa de hoje e condena “a triste subserviência de responsáveis portugueses à língua inglesa”. Foi publicado na seção por ela assinada – A Vez… ao Português – no Diário do Alentejo, na edição veiculada em Portugal de 12 de julho de 2008.  :::

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–– Desamor pela Língua Portuguesa ––

Maria Regina Rocha
Do Diário do Alentejo (Beja, Portugal)
12 de julho de 2008


 

Num dos passados domingos, na RTP1, ao serão, foi transmitida uma comédia americana produzida em 1996, Corações Roubados (título original: Two if by the sea), que começa com o roubo de um quadro do pintor francês Henri Matisse (1869-1954). Num diálogo entre dois dos investigadores do roubo, um deles refere-se ao pintor pronunciando o nome próprio à francesa. O outro corrige-o, pretendendo que ele diga o nome em inglês (Henry, e não Henri), e, à observação do companheiro de que o pintor era francês, o primeiro responde-lhe: “Mas tu és americano, falas inglês!”

Este simples diálogo entre personagens de um filme menor americano, em que simples figurantes sem qualquer responsabilidade a nível político ou cultural defendem a língua do seu país, fez-me pensar no que se passa em Portugal: a triste subserviência de responsáveis portugueses à língua inglesa em situações que têm projeção nacional ou internacional e o desamor pela Língua Portuguesa.

Alguns exemplos: Allgarve (porque não Algarve?), Eusébio Cup (porque não Taça Eusébio, em homenagem a Eusébio, o grande jogador a quem chamaram o “Rei” do futebol, palavra agora por vezes substituída por King !?), Troiaresort (empreendimento turístico recentemente inaugurado), RTP Mobile, ou, ainda, o termo chief executive officers (CEO) nome dado, num jornal, a jornalistas da direção de um canal de televisão.

Um dos domínios da técnica em que os anglicismos são usados de uma forma perfeitamente acrítica é o da informática. Não esqueço que, ao importarmos um aparelho ou um produto novo de origem inglesa ou americana, recebemos também o nome “de bónus” e que, num primeiro momento, poderá ser difícil encontrar ou formar a palavra portuguesa correspondente, mas será, certamente, exagero dizer, por exemplo, password em vez de senha (palavra portuguesa, e até mais pequena), online, em vez de em linha, home page (página inicial ou principal), software (a que correspondem os termos portugueses aplicações ou programas, dependendo do contexto).

Para terminar e parar por aqui, todos sabem que no sinal de trânsito de paragem obrigatória em Portugal está escrita a palavra STOP. Mas… saberão que no Brasil a palavra escrita nesse mesmo sinal é PARE? Sem comentários…

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ROCHA, Maria Regina. Desamor pela Língua Portuguesa.
Do jornal Diário do Alentejo – Beja, Portugal.
Publicado em: 12 jul. 2008.
O texto está disponível no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

Uma resposta to “Desamor pela Língua Portuguesa – Maria Regina Rocha”

  1. O mesmo acontece em Espanha. E também na América hispânica têm o “Pare”; cá é “Stop” (“Estó”).

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