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“Sai um ‘fino’ ou uma ‘imperial’?” – a variação lexical Porto-Lisboa em chapas criativas

In Defesa da Língua Portuguesa, Lusofonia e Diversidade on 15 de Junho de 2012 by ronsoar Tagged: ,

O sítio P3, do jornal Público, relatou a interessante história de uma desenhista de moda de Cascais, perto de Lisboa, residente há 20 anos no Porto e que ficou impressionada com a diversidade lexical da Língua Portuguesa em regiões diferentes do mesmo país. Com base na experiência da língua que vivenciou, ela criou o Speak Porto para minimizar falhas de comunicação entre portuenses e lisboetas através de pins – ou chapas.

*          *          *

–– Sai um fino ou uma imperial? ––

de Mariana Correia Pinto, do P3
12 de junho de 2012

A desenhista de moda lisboeta Susana Catarino criou um projeto inspirado
nas expressões da Língua no Porto. (Foto: Mariana Correia Pinto/
P3)

Oscila entre um desbloqueador de conversa perfeito e uma barreira linguística que acaba algumas vezes em mal-entendidos. Portuenses e lisboetas nem sempre se entendem na perfeição? Afirmativo, responde Susana Catarino, que trocou Cascais pelo Porto em 1993 e se sentia uma estrangeira na cidade – não sabia o que eram repas (franja), e sapatilhas (ténis) eram para ela uns sapatos de balé.

Quase vinte anos depois, Susana Catarino é praticamente “bilingue” e transformou esse “estatuto” num negócio: o Speak Porto são pins [chapas] que traduzem expressões portuenses para os lisboetas – e vice-versa. Susana já não fica espantada se depois de cantarem os parabéns alguém desatar a dizer “bufa, bufa” – não se está a sugerir que libertem gases a meio da festa, não, está apenas a dizer-se que “soprem” as velas.

Vamos rebobinar. Susana tinha 18 anos e percorreu o país para fazer o curso de desenho de moda têxtil, no Centro de Formação Profissional da Indústria Têxtil (Citex). No Porto, deparou-se com “expressões que não fazia a menor ideia do que significassem” e sentiu-se “completamente perdida”.

Adaptação linguística
Minimizava o problema com blocos de notas onde apontava expressões, qual estrangeiro em país longínquo. Habituou-se a não pedir uma bica [xícara de café expresso] – cimbalino – nem um garoto [café com leite] – pingo – e a nunca pronunciar a palavra imperial [chope] – fino. Foi-se adaptando.

Conheceu no Porto aquele que viria a ser o marido e pai dos filhos e foi ficando pelo Norte. Até 2007, trabalhou na indústria têxtil, em Guimarães. Depois, cansou-se: quando o segundo filho nasceu, decidiu que queria dedicar-se mais à família e trabalhar a criatividade.

O sotaque lisboeta ainda se percebe em Susana e as expressões que usa no dia a dia (exceção para o fino) são quase sempre as lisboetas, ainda que assegure que não tem preferência: “É uma questão de hábito”. Diz cadeadoaloquete; saltos [de sapatos] – tacões; atacadores [cadarços] – cordões; frigideirasertã; refogadoestrugido; sopra as velas – bufa; e chama gulososlambareiros – aos filhos.

Mas o Speak Porto – e não Speak Lisboa – quer ser um hino às “expressões [portuenses] fantásticas que começam a perder-se”. A lista já conta com 18 pins [chapas] – a expressão portuense vem primeiro e a amarelo, a lisboeta a seguir e a branco. E não param de surgir ideias. No Facebook do projeto, é vê-las a cair: “guarda-chuva/chuço ou chapéu de chuva?”; “pão/molete ou cacete?”; “malga ou tigela?”; “bicha ou fila?”.

As chapas mostram as expressões do Porto em amarelo e as de Lisboa em branco.
(Foto: Mariana Correia Pinto/
P3)

Para já, o projeto da desenhista de moda têxtil de 38 anos espalha-se em forma de pins [chapas] – apesar de já existir em ímã –, mas o objetivo é espalhar as expressões por outros suportes: cadernos, bolsas, talvez “t-shirts” [camisetas].

Para já, Susana vende em linha na Internet: são dois euros por “pin” ou chapa – sem custos de envio incluídos –, e quem encomendar cinco ou mais não paga portes. Para quem prefere ver antes de comprar, pode aproveitar as feiras por onde o projeto vai passando – a próxima é já de 14 a 16 de junho, no Urban Market, no Porto.

• Sítio do Speak Porto:
<http://www.speakporto.com&gt;

.

Baseado na reportagem de
CORREIA PINTO, Mariana. Sai um fino ou uma imperial?
Do sítio P3 – seção Design.
Do jornal Público – Porto, Portugal.
<http://p3.publico.pt/cultura/design/3368/sai-um-fino-ou-uma-imperial&gt;.
Publicado em: 12 jun. 2012.

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