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Macau: uma vigília de 700 pessoas para lembrar Tiananmen

In O Mundo de Língua Portuguesa on 6 de Junho de 2012 by ronsoar Tagged: ,

5 de junho de 2012

Cerca de 700 pessoas participaram de vigília em Macau em memória aos mortos de 1989 em Tiananmen.

Cerca de 700 pessoas participaram, na noite de 5 de junho, de ato anual de vigília à luz de velas na Praça do Leal Senado, em Macau, em frente à Igreja de São Domingos. O ato ocorre em memória aos mortos e presos pela repressão movida pelo Exército chinês aos manifestantes estudantis da Praça Tiananmen, em Pequim, em 4 de junho de 1989.

Velas foram acesas na calçada de mosaico português e fez-se um minuto de silêncio em homenagem aos que morreram durante os confrontos de 23 anos atrás.

A manifestação pacífica é organizada, todos os anos desde então, pela União para o Desenvolvimento Democrático de Macau e pela agremiação política Associação Novo Macau.

Na ocasião dos atos de repressão do governo de Pequim aos manifestantes pró-democracia, cerca de 200 mil cidadãos de Macau foram às ruas em apoio ao movimento estudantil da capital chinesa. Houve, em junho de 1989, uma passeata das ruínas da Catedral de São Paulo até a Av. Almeida Ribeiro, onde se localiza a sede macaense da agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

As manifestações foram possíveis em Macau, pois, na época, a cidade tinha o estatuto de território especial sob administração portuguesa. Com a transferência do território para a China, em 1999, passou a vigorar em Macau a Lei Básica, guiada pelo princípio “um país, dois sistemas”. Assim como em Hong Kong – na outra margem da Riviera das Pérolas –, os cidadãos de Macau podem ter liberdade de expressão, de imprensa e de associação política.

O ato foi em memória à repressão militar aos movimentos estudantis pró-democracia na Praça Tiananmen, em Pequim, em 4 de junho de 1989.

As manifestações de Macau e de Hong Kong, em memória à repressão de junho de 1989, praticamente não tiveram repercussão na imprensa da República Popular da China, que oficialmente ainda trata o episódio como “levante contrarrevolucionário”.

“Não era um homem só, era uma nação”

O deputado Ng Kuok Cheong participou da vigília pacífica em Macau em memória às manifestações de 1989.

Diante disso, o deputado da Assembleia Legislativa de Macau, Ng Kuok Cheong, falou ao público no Leal Senado, exigindo que as autoridades chinesas divulguem dados sobre os mortos nos confrontos de Tiananmen e que peçam desculpas pela violência contra manifestantes civis que queriam democracia.

“Em nome da verdade histórica, há que ignorar as avaliações oficiais e, com vista a fazer justiça às vítimas e para que o Estado consiga quanto antes desatar os seus próprios nós e escolher o caminho correto rumo à democracia. Há que corrigir a injustiça das sentenças aplicadas aos revolucionários dos movimentos pró-democracia de 1989 e há também que desatar o nó dos incidentes de 4 de junho”, considerou Ng Kuok Cheong, que é advogado e presidente da Associação Novo Macau.

Um dos participantes da vigília em Macau foi Ricardo Sanchez, que trouxe o filho de seis anos. “Estou aqui por ele. Acho que ninguém esquece. Mas há quem não queira lembrar-se dos incidentes”, disse Ricardo.

Ricardo tinha 13 anos quando os militares do Exército de Libertação Popular da China entraram no centro de Pequim, disparando contra manifestantes desarmados e provocando a morte a centenas ou milhares de pessoas – os números oficiais nunca foram conhecidos.

Entre muitas lembranças, há uma que é icônica e percorreu o mundo. “O homem do tanque. Ninguém sabe quem é”, recordou.

“Isso importa?”, perguntaram a Ricardo.

“Não. Ele não era só um homem, era uma nação.”

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(Com colaboração da Agência Lusa e dos jornais Ponto Final e Macau Daily Times – Macau, China.)

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